Uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu replicar as condições do universo em seus primeiros instantes de vida utilizando colisões atômicas muito menores do que as tradicionalmente empregadas. O feito, publicado na prestigiada revista Physical Review Letters, representa um marco na física de partículas e pode revolucionar nossa compreensão sobre a formação da matéria.
Durante os primeiros instantes após o Big Bang, o cosmos era composto por uma sopa densa e extremamente quente de partículas subatômicas, conhecida como plasma de quarks e glúons. Durante décadas, os cientistas conseguiram recriar esse estado primordial apenas colidindo núcleos de elementos pesados, como o chumbo, em aceleradores de partículas que operam próximo à velocidade da luz.
A Organização Europeia para Pesquisa Nuclear, conhecida pela sigla CERN, demonstrou agora que esse plasma exótico pode ser gerado com elementos muito mais leves. Os pesquisadores utilizaram oxigênio-16 e neônio-20, ambos com massa inferior a um décimo do átomo de chumbo, que até então era considerado um dos menores elementos capazes de produzir o plasma de quarks e glúons.
Segundo You Zhou, investigador do Instituto Niels Bohr nos Países Baixos e coautor do estudo, a descoberta expandiu significativamente os limites do que é possível em termos de miniaturização das colisões atômicas. "Conseguimos empurrar as fronteiras de quão pequenos podem ser os núcleos atômicos para recriar essa matéria primordial. Agora compreendemos melhor as condições fundamentais necessárias para que a matéria transite para esse estado extremo", explicou o cientista.
Apesar do tamanho reduzido dos núcleos de oxigênio e neônio, as colisões produziram sinais compatíveis com o comportamento esperado do plasma de quarks e glúons. Por um instante, a matéria gerada se expandiu coletivamente, comportando-se como um fluido, antes de resfriar e se transformar em partículas.
Os cientistas esperam que essas informações ajudem a compreender melhor como o plasma de quarks e glúons se comportou nos primeiros instantes do universo e como evoluiu para as formas de matéria que compõem tudo o que existe ao nosso redor hoje.
A pesquisa representa uma mudança de paradigma na área, mostrando que não é necessário utilizar elementos massivos para estudar as condições do universo primordial. Essa abordagem permite ampliar o alcance dos experimentos e oferece novas perspectivas para entender a física fundamental do cosmos.
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