O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) publicou um estudo com perspectivas sombrias sobre o futuro do planeta. Os cientistas climáticos do órgão concluíram que as temperaturas mundiais vão exceder a marca de 1,5 °C estabelecida pelo Acordo de Paris, abandonando a ideia de manter o aumento abaixo desse limite. Em vez disso, o novo relatório "Limitação da Ultrapassagem" traça rotas para reduzir ao máximo o tempo que a Terra permanecerá acima dessa temperatura crítica.
A estratégia recomendada, batizada de "ultrapassagem, pico e declínio", exige que os países cumpram metas de eliminação das emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, realizem a remoção de grandes volumes de dióxido de carbono da atmosfera. Segundo os especialistas, a retirada de carbono é uma ação complementar, e não um substituto, para alcançar a neutralidade de carbono. Mesmo um período breve acima do limite pode gerar consequências catastróficas cada vez mais difíceis de reverter.
"Não há desfechos favoráveis se permanecermos acima de 1,5 °C. Ondas de calor extremas já mostram que os impactos climáticos estão chegando mais rápido, com maior intensidade e duração – causando mais mortes e profundas perturbações", afirmou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. Ela pediu uma intensificação imediata das ações climáticas: "Devemos dobrar os esforços agora. Cortar emissões, fortalecer a resiliência e adaptar‑nos para que a ultrapassagem seja a menor e mais curta possível."
A mudança de tom reflete a distância ainda grande entre as promessas internacionais e as medidas concretas adotadas. Neste ano, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia relaxaram restrições às emissões de gases de efeito estufa, dificultando ainda mais o cumprimento das metas globais.

