A operadora australiana de telecomunicações Telstra revelou nesta segunda-feira as conclusões de uma investigação independente sobre a pane que afetou seus serviços no dia 8 de julho. O estudo, conduzido pela empresa de auditoria Technology Audit Partners, identificou que a interrupção foi provocada por um problema em um componente de sincronização temporal da rede da operadora.
A falha atingiu milhares de clientes móveis da empresa, comprometeu o funcionamento do serviço de emergência Triple Zero — equivalente ao 190 brasileiro — e provocou o cancelamento de serviços ferroviários em diversas regiões do país. A investigação confirmou que a pane decorreu de defeitos nos servidores de marcação de tempo em data centers localizados em Sydney e Melbourne.
Segundo Vicki Brady, executiva-chefe da Telstra, a apuração validou as informações divulgadas no momento do incidente. "A investigação confirmou que a interrupção foi desencadeada por um evento técnico específico, consistente com o que comunicamos na época: informações incorretas de data se propagaram por partes da nossa rede móvel após uma manutenção planejada no sistema de sincronização", declarou a CEO.
Brady reconhece que a empresa falhou em tratando a sincronização de rede como uma capacidade crítica. "O mais significativo é que a investigação revelou que a interrupção ocorreu principalmente porque não tratamos a sincronização de rede como uma função soberana, que exige os mais altos níveis de supervisão e proteção", completou.
A executiva pediu desculpas aos clientes e informou que a empresa tomou "medidas imediatas" para reforçar a resiliência da infraestrutura. Entre as ações, a Telstra migrou os serviços dos servidores de protocolo de tempo de rede anteriores para um sistema estratégico em três localidades, além de implementar monitoramento e alertas adicionais.
De acordo com o relatório, a pane teve início por volta das 2h50 da madrugada, e não às 4h30 como estimado inicialmente. O problema ocorreu quando um chassi de sincronização em Melbourne foi reativado após manutenção planejada. O cartão GPS do equipamento havia sido resetado durante o procedimento e passou a enviar a data incorreta de 2006 para a rede.
A investigação revelou que o cartão GPS estava em uso ativo no chassi e não possuía uma atualização crítica de firmware necessária para impedir a alteração temporal causada por um conhecido problema de rollover do GPS. Embora a troca planejada do chassi tenha sido o gatilho da interrupção, as circunstâncias que levaram ao incidente se remontam a 2020, quando engenheiros modificaram a configuração do protocolo de tempo para um modelo de interconexão entre servidores.
Durante o período da pane, os dois engenheiros responsáveis pela manutenção estavam em licença obrigatória, o que dificultou a resposta ao problema. Sinais de alerta já haviam surgido em outubro do ano anterior, quando equipes foram alertadas sobre um relatório indicando que o relógio Stratum-3 do protocolo de tempo perdia conectividade várias vezes ao dia com sua fonte Stratum-2 em Sydney.
A auditoria recomendou que a Telstra revise a equipe dedicada ao protocolo de tempo, afirmando que "não há pessoal suficientemente qualificado para realizar todo o trabalho necessário e revisar todos os produtos e responsabilidades de suporte". O relatório também criticou a falha em identificar e gerenciar o risco específico, apesar das evidências e preocupações registradas na organização.
A Telstra afirmou que aceita as conclusões da investigação e realizará uma revisão das funções críticas não relacionadas à sincronização em sua rede. Uma investigação adicional está em andamento pela Autoridade Australiana de Comunicações e Mídia, que pode aplicarMulta de até 30 milhões de dólares australianos à empresa.
Fonte: DCD

