A empresa de cibersegurança Morphisec revelou nesta segunda-feira (31) que organizações criminosas estão distribuindo um software malicioso disfarçado de ferramenta de inteligência artificial. O programa falso, nomeado como "Claude Opus 5 Free Desktop", atrai vítimas ao prometer acesso gratuito ao assistente virtual desenvolvido pela empresa Anthropic.
Este não representa um método inédito de ataque. Pesquisadores lembram que, em agosto deste ano, hackers já haviam explorado a popularidade do filme "A Odisseia" para espalhar códigos prejudiciais. Agora, o golpe volta-se especificamente contra quem administra recursos financeiros em moedas digitais.
O programa hostil, identificado como RevStealer, consegue extrair informações sensíveis como gerenciadores de senhas, carteiras de moedas virtuais, credenciais de redes privadas virtuais e ferramentas de acesso remoto. Sua principal característica é a discrição: torna-se praticamente indetectável durante varreduras tradicionais de segurança.
A ameaça monitora simultaneamente mais de cinco dezenas de aplicações de armazenamento de criptomoedas. Entre as afetadas estão: Armory, Atomic, Bytecoin, Cake Wallet, Coinomi, Daedalus, Dash, Decred, DigiByte, Dogecoin, Ethereum, Exodus, Frame, Groestlcoin, Guarda, Komodo, Litecoin, Monacoin, Monero, MyCrypto, MyEtherWallet, MyMonero, Namecoin, Nexus, PIVX, Qtum, Ravencoin, Solar, Sparrow, Verge, Vertcoin, Viacoin, Wasabi, Zcash, Zecwallet Lite, Zelcore, Railway, Ledger Live e Trezor Suite. Diversas variações do Bitcoin e da plataforma Electrum também aparecem na relação.
O procedimento de invasão funciona da seguinte maneira: a pessoa realiza o download de um arquivo com aproximadamente 101 megabytes originating from um repositório na plataforma GitHub, cujo design reproduz a identidade visual do chatbot original. O executável consiste em uma aplicação Electron de 64 bits que não apresenta nenhuma janela ou indicador visual durante a verificação do dispositivo infectado.
Após burlar essas barreiras iniciais, o carregador descriptografa o componente incorporado empregando o algoritmo AES-256-CBC, grava a carga maliciosa em uma pasta com denominação aleatória dentro do diretório AppData, executa-o secretamente e, por fim, remove seu próprio arquivo de configuração.
Os analistas da Morphisec destacam também a utilização da tecnologia de registro distribuído. Quando o servidor principal não responde, o programa consultar um contrato inteligente na rede Polygon como alternativa para manter suas operações.
A companhia de proteção digital recomenda que os usuários permaneçam vigilantes diante de ofertas tentadoras. "Um repositório que simula uma empresa de inteligência artificial hoje pode ser substituído por outra isca futuramente. A prevenção eficaz deve mirar as técnicas de execução das quais a cadeia depende, mantendo sua utilidade mesmo quando as variantes se modificam".
A estratégia atual dos defensores não busca apenas identificar rapidamente a ameaça, mas impedir que ela realize suas funções de roubo desde o princípio. Ao público geral, o conselho central é desconfiar de promessas extraordinárias, como programas que afirma ser gratuitos sem motivo aparente.
Fonte: Livecoins

