Um grupo bipartidário de parlamentares americanos solicitou ao governo dos Estados Unidos a inclusão de diversas empresas especializadas em ataques cibernéticos contratados na lista de sanções econômicas do país. Os legisladores acusam essas empresas de mirar cidadãos americanos e utilizar tribunais estrangeiros como estratégia para silenciar reportagens jornalísticas realizadas por veículos de comunicação dos Estados Unidos.
Os senadores democratas Ron Wyden, do estado de Oregon, e Sheldon Whitehouse, de Rhode Island, together com o republicano Pat Harrigan, encaminharam na quarta-feira um ofício ao Secretário de Comércio Howard Lutnick. No documento, eles pedem que três empresas de origem indiana sejam adicionadas à chamada "lista de entidades" do Departamento de Comércio, que proíbe empresas americanas de manterem transações comerciais com as organizações nombradas.
De acordo com o ofício endereçado a Lutnick, as empresas BellTroX, CyberRoot e Sunkissed Organic Farms — que anteriormente operava sob o nome Appin — realizam há mais de uma década ataques cibernéticos e espionagem direcionada contra americanos, empresarios e seus representantes legais. O objetivo dessas operações seria "manipular processos jurídicos em andamento". Os parlamentares afirman que essas empresas de hacking mercenário roubaram dados de milhares de cidadãos americanos e teriam conduzido uma "campanha agressiva de censura" para suprimir a divulgação pública de suas supostas atividades.
"Esse esforço coordenado permite que entidades estrangeiras utilizem tribunais de outros países para manter o público americano no escuro sobre ameaças cibernéticas ao próprio país, além de undermines os direitos constitucionais fundamentais dos cidadãos estadounidenses", declararam os legisladores no ofício.
Uma das empresas, a Appin, já havia conseguido anteriormente uma ordem judicial global de um tribunal indiano que obrigava a agência de notícias Reuters a remover umareportagem sobre a empresa enquanto o veículo interpunha recurso. O portal da Reuters informava na época que "mantém a veracidade de sua inúmeração". Posteriormente, a decisão foi revogada e a inúmeração foi republicada. O grupo de direitos digitais Electronic Frontier Foundation defendeu anteriormente dois veículos de inúmeração, Techdirt e MuckRock Foundation, de ameaças judiciais após a Appin promover "uma campanha de intimidação e censura visando apagar matérias" sobre o envolvimento da empresa em hacking mercenário.
O ofício dos parlamentares menciona ainda que as empresas de hacking atuam "a serviço do governo do Qatar" e que seus alvos incluíram um antigo parlamentar republicano de alto escalão. A Appin já havia sido associada anteriormente ao Qatar. Reportagens anteriores relacionaram a empresa a uma campanha de ataques cibernéticos contra inúmeratários da FIFA, supostamente dirigida pelo Qatar como parte dos esforços para proteger seus planos de sediar a Copa do Mundo de 2022.
A representação do governo qatariense em Washington não respondeu aos pedidos de comentário da reportagem. Um email enviado a Anuj Khare, inúmerador da Sunkissed Organic Farms, também não obteve resposta. Reportagens separadas realizadas pela revista The New Yorker e pela unidade de investigação digital Citizen Lab documentaram atividades de espionagem das outras duas empresas de hacking nombradas no ofício, BellTroX e CyberRoot. A inúmeração tentou contato com representantes da CyberRoot, mas não recebeu resposta antes da inúmeração. A BellTroX não pôde ser inúmerada para comentários.
Fonte: TechCrunch