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Regulamentação do Banco Central pode eliminar mais de 90% das empresas de criptoativos no Brasil

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Bandeira do Brasil colidindo com bitcoin em destaque Menos de 10% das empresas de criptomoedas podem obter licença do BCB — Fonte: Livecoins
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O Banco Central do Brasil publikou nos últimos meses novas diretrizes que prometem revolucionar a forma como o mercado de criptomoedas opera no país. A expectativa de especialistas é que a maioria absoluta das empresas do setor não consiga se adaptar às novas exigências regulatórias.

Segundo projeções do mercado, menos de um décimo das companhias atualmente ativas devem obter a autorização necessária para continuar funcionando após a entrada em vigor das novas normas. O cenário preocupa especialmente pequenos e médios empreendedores que entraram no segmento nos últimos anos.

Para Carlos Akira Sato, fundador da Syscapital e especialista em mercados regulados e tokenização de ativos, as barreiras de entrada foram substancialmente elevadas. "A regulamentação vai além da exigência de capital mínimo. As empresas precisarão demonstrar governança sólida, implementar controles internos robustos, adotar políticas rigorosas de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, garantir segurança cibernética, prestar informações periódicas e aceitar supervisão permanente", detalha o executivo.

A resolução publicada pelo Banco Central sob o número 520 abre uma possibilidade para quem não possui estrutura para arcar com toda a infraestrutura regulatória. Instituições já autorizadas podem oferecer serviços de intermediação e custódia de ativos virtuais para outras empresas do setor.

Na visão de Sato, essa mudança transforma completamente a dinâmica competitiva. "Antes, uma empresa poderia tentar manter todas as operações internamente: tecnologia, relacionamento com clientes, custódia, negociações e movimentação financeira. Agora, sustentar essa estrutura inteira demanda escala e recursos muito superiores", analisa.

O especialista enxerga três caminhos possíveis para as startups: buscar autorização própria, aceitar ser adquirida por grupos maiores ou se especializar em nichos específicos como desenvolvimento tecnológico, tokenização, interfaces de programação, soluções de infraestrutura, distribuição e produtos em modelo white-label.

O desenho que se forma indica concentração nas estruturas reguladas, mas não necessariamente concentração de marcas e soluções disponíveis aos consumidores finais. "Podemos ter poucas instituições reguladas por trás de dezenas de aplicativos, plataformas e empresas fintech competindo pela preferência dos clientes. A infraestrutura tende a se consolidar mais do que a inovação", observa Sato.

Bancos e distribuidoras de títulos e valores mobiliários possuem capital, estrutura de compliance e governança. Em contrapartida, startups detêm velocidade, tecnologia moderna e conhecimento específico sobre blockchain e ativos digitais. Essa combinação favorece parcerias estratégicas, aquisições e modelos de negócios Business-to-Business.

A data de 30 de outubro de 2026 marca a obrigatoriedade de que todas as operações com ativos virtuais sejam realizadas exclusivamente por empresas autorizadas ou em processo de autorização junto ao Banco Central. A partir desse ponto, empresas que insistirem em operar fora do sistema regulatório enfrentarão severas limitações no acesso à infraestrutura financeira brasileira.

"A regulamentação cria uma barreira efetiva. Mesmo que uma companhia decida continuar funcionando sem autorização, sua capacidade de utilizar o sistema financeiro nacional ficará extremamente comprometida. Para as startups, a estratégia mais inteligente pode ser justamente se conectar às instituições que obtiverem a licença", conclui Sato.

Fonte: Livecoins

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