O mercado de veículos elétricos mantém uma trajetória ascendente, mesmo com o arrefecimento do otimismo que dominava o setor há poucos anos. De acordo com dados de analistas, mais de 1,8 milhão de unidades já haviam sido comercializadas entre o início do ano e o final de agosto. Nos Estados Unidos, o aumento dos preços dos combustíveis tem levado um número crescente de motoristas a considerar a aquisição de um veículo elétrico, algo que muitos descartavam no ano anterior.
Contudo, a expansão da rede de carregamento não acompanha essa demanda, conforme aponta o novo relatório da ChargePoint. A empresa registrou um volume expressivo de solicitações de propostas para soluções de recarga e informou crescimento de um trimestre para o outro em seu último balanço. “O mercado norte‑americano está mais consolidado do que muitos relatórios sugerem”, afirmou o CEO Rick Wilmer.
Wilmer chamou a atenção para a valorização dos veículos elétricos usados, cujo preço tem subido devido à forte procura. A taxa de retenção desses automóveis alcança 96%, o que significa que aqueles que devolvem carros alugados não retornam aos modelos a combustão, mas migram para outro veículo elétrico. “Isso mostra que, quando o veículo está no ponto certo de preço, o apetite do consumidor por elétricos é real”, observou.
A entrada de picapes elétricas acessíveis, como as desenvolvidas pela Slate e pela Ford, reforça a perspectiva de uma demanda futura ainda maior por pontos de recarga. Wilmer destacou que muitos fabricantes de automóveis ainda estão descobrindo o que o consumidor realmente deseja na América do Norte e começam a lançar modelos com melhor adequação entre produto e mercado. “As previsões mais recentes ainda não consideram que a coincidência entre oferta e procura está melhorando rapidamente”, completou.
Diante desse cenário, a lacuna entre a necessidade de carregadores e a capacidade instalada permanece como um dos principais desafios para a transição completa para a mobilidade elétrica.
Fonte: Ars Technica