As seis adaptações anteriores de Resident Evil para o cinema carregavam um peso considerável: o rechazo quase unânime da crítica e dos admiradores mais devoted da série criada pela empresa japonesa Capcom. A atuação de Paul W. S. Anderson ao lado de Milla Jovovich construiu uma versão tão distante dos jogos que muitos consideravam a franquia cinematografica irremediavelmente manchada. O ceticismo era justificado.
Cregger, cujo currículo inclui os marcantes filmes Noites Brutais e A Hora do Mal, assume o comando desta reimtervisão com uma proposta que parece simples, mas carrega enorme responsabilidade: reconectar o universo audiovisual com a essência de terror de sobrevivência que tornou os jogos referência do gênero. O diretor não se limita a adaptar, mas interpreta o material original sob sua perspectiva autoral.
A estratégia começa a funcionar nos primeiros trinta minutos. O longa abandona a figura de uma heroína invencível para apresentar Bryan, interpretado por Austin Abrams. Este protagonista comum se vê arrastado para o caos de Racoon City sem habilidades especiais ou treinamento militar. O personagem erra, hesita e toma decisões questionáveis, mas exatamente por isso transmite uma verossimilhança que faltava às versões anteriores.
O senso de desespero presente nos jogos é traduzido com maestria pelo cineasta. Cada escolha carrega peso, cada corredor representa perigo iminente. A direção de Cregger consegue recriar aquela sensação de vulnerabilidade que faz o espectador se identificar completamente com o protagonista, como se estivesse ele próprio navegando por corredores escuros e labirintos traiçoeiros.
A parceria entre Cregger e Abrams, já estabelecida em trabalhos anteriores, atinge novo patamar aqui. O ator consegue transmitir toda a montanha-russa emocional que a experiência proporciona, fazendo com que o público reviva as mesmas frustrações e vitórias proporcionadas pelas sessões de gameplay dos games.
Optar por um personagem original em vez de recorrências a figuras icônicas como Leon, Chris ou Jill poderia parecer um risco, mas acaba se tornando o grande trunfo da produção. A universalidade da vulnerabilidade de Bryan cria identificação instantânea com qualquer pessoa que já enfrentou os desafios dos jogos.
O humor presente na obra não chega a popar em piadas convencionais. Cregger utiliza o absurdo das situações como ferramenta narrativa, um recurso que aprendeu com a própria franquia, que sempre reservou espaço para momentos de leveza entre o caos. Leon e suas frases memoráveis são prova disso. Alguns momentos específicos de interação entre personagens, contudo, quebram levemente o ritmo estabelecido, parecendo deslocados na narrativa.
O terceiro ato reserva revelações que dividirão o público, característica marca registrada do estilo de Cregger. Entre cenas de violência extrema e criaturas com designs perturbadores, o desfecho surpreende mesmo os espectadores mais preparados.
A temática da paternidade permeia toda a narrativa de forma orgânica. Bryan carrega anxieties sobre seu papel como pai em meio ao apocalipse, e essa luta interna confere camadas emocionais que transcendem o gênero de terror. O próprio diretor admitiu influences pessoais neste aspecto.
O filme não é um festival de referências aos jogos, mas as escolhas feitas demonstram conhecimento profundo da franchise. Cada elemento presente serve à história, não apenas como aceno aos fãs, seguindo o princípio que o próprio Cregger expressou: menos é mais.
A estreia occurs em dezessete de setembro, e resta saber se esta abordagem autoral será suficiente para reconquistar uma base de fãs marcada por tantas decepções passadas.
Fonte: IGN Brasil