A Apple lançou a quarta geração do seu smartwatch mais robusto, o Watch Ultra 4, mantendo a tradição de melhorias incrementais que marcam a linha desde sua estreia em 2022. O dispositivo continua com seu visual impressionante em titânio, dimensões generosas e uma proposta voltada para aventureiros e atletas de endurance que precisam de recursos extremos para situações de emergência.
Após testar tanto o Ultra 4 quanto o novo Series 12, fica evidente o quanto os dois modelos se aproximaram em termos de funcionalidades. A diferença entre eles diminui a cada ano, o que levanta questionamentos sobre o valor dos quatrocentos dólares extras cobrados pelo modelo mais robusto. O Series 12 agora compartilha muitas das capacidades de monitoramento de saúde e segurança presentes no Ultra 4, tornando a escolha entre eles uma questão cada vez mais pessoal.
O grande diferencial do Ultra 4 está na bateria. A Apple conseguiu aumentar a autonomia para até cinquenta horas de uso cotidiano, contra quarenta e duas horas do modelo anterior. No Modo Economia de Energia, esse tempo sobe para oitenta e quatro horas. Para treinos prolongados, o relógio oferece até dezoito horas no modo padrão, vinte e cinco horas no modo estendido e impressionantes quarenta e cinco horas no modo máximo estendido. O carregamento também ficou mais rápido: apenas quinze minutos na tomada são suficientes para garantir dezoito horas de bateria.
O sistema de monitoramento de saúde recebeu melhorias significativas com o novo chip S11. O relógio agora mede a frequência cardíaca a cada cinco segundos durante todo o dia e avalia a variabilidade da frequência cardíaca até uma vez a cada cinco minutos, representando até vinte e quatro vezes mais medições que a geração anterior. O dispositivo registra duas variantes de HRV: a de recuperação, que identifica estressores diários, e a geral, que oferece contexto cardiovascular mais amplo.
O recurso mais destacado é o Readiness, uma pontuação diária que varia de zero a dez. Ele combina dados de atividade recente, sono e sinais vitais para gerar uma recomendação entre quatro opções: Recuperar, Moderar, Pronto ou Vamos Lá. A pontuação é atualizada ao longo do dia conforme novas informações chegam, e o usuário precisa usar o relógio durante pelo menos sete noites para estabelecer uma baseeline inicial.
Para quem pratica esportes ao ar livre ou corridas de longa distância, o Readiness funciona como uma verificação rápida para saber se é dia de ultrapassar limites ou de respeitar os sinais do corpo. A promessa é transformar uma grande quantidade de dados de saúde em algo acionável, mas ainda assim é uma métrica que não considera todos os fatores e não deve ser usada isoladamente para determinar a segurança de se exercitar.
O design permanece inalterado, disponível nas cores titânio natural e titânio preto. A tela de quarenta e nove milímetros ocupa todo o pulso, e muitos usuários podem sentir falta de uma opção menor. Durante corridas, a interação com a tela sensível ao toque pode ser frustrante, especialmente com suor. O botão físico Action continua sendo um atalho útil para iniciar e pausar treinos, mas diversos controles ainda dependem de toques e gestos na tela.
Alguns recursos interessantes prometidos pela Apple não estarão disponíveis no lançamento. Recursos de inteligência de áudio, como Live Rewind e Siri Recap, além de insights de longevidade no aplicativo de Saúde, estão previstos para chegar ainda este ano.
Com nota oito de dez, o Ultra 4 é o smartwatch mais especializado que a Apple já produziu, mas também o mais difícil de justificar para a maioria dos consumidores. Suas vantagens são claras para corredores de trilhas, mergulhadores e pessoas que frequentemente se aventuram fora da cobertura celular. Porém, para quem busca monitoramento de saúde, treinos e tarefas do dia a dia, o Series 12 oferece a experiência essencial por quatrocentos dólares menos. Para proprietários da geração anterior, o Ultra 4 serve mais como uma confirmação de que já possuem um excelente produto.
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