Quem cresceu jogando Rayman Legends sabe o quanto este título representa: tardes intermináveis de diversão ao lado de irmãos e primos, repletas de risadas e até algumas discussões acaloradas pelo controle. Agora, a Ubisoft apresenta uma releitura ambiciosa dessa obra-prima, e tive a chance de experimentar uma versão preliminar com fases inéditas e uma proposta renovada.
A grande questão que pairava sobre este projeto era simples: como reinventar um jogo que já é extraordinário? A resposta da desenvolvedora veio na forma de um mundo tridimensional completamente novo, uma narrativa mais elaborada e a introdução de um reino inédito, tudo isso sem tocar na jogabilidade que fez o sucesso do título original. Trata-se de uma ousadia que poderia facilmente descambar para o desastre, mas os resultados iniciais mostram que o equilíbrio foi alcançado.
Nas primeiras horas de experiência, confesso que a falta de prática pesou. Levou pelo menos meia hora para readaptar os dedos aos comandos e absorver todas as habilidades de Rayman. Morrer repetidamente causava frustração, porém a diversão prevalecia, remetendo àquela época em que era necessário passar o controle para a irmã cada vez que o personagem caía em um buraco. Quando finalmente encontrei o ritmo, o progresso fluiu naturalmente, permitindo focar nos objetivos e resgatar os pequenos Teensies — embora não tenha conseguido salvá-los todos, provando que minha habilidade não é mais a mesma de outrora.
As fases musicais, icônicas da franquia, continuam sendo um dos maiores destaques. Traumáticas e viciantes ao mesmo tempo, representam o que há de mais memorável na série. Na demonstração disponível, duas dessas etapas contavam com melodias originais que evocam clássicos populares, mantendo a mecânica de sincronizar os movimentos com o ritmo para avançar. Há também sequências onde pilotamos um imenso dragão azul, disparando bolas de fogo contra adversários e destruindo obstáculos. O formato tridimensional se encaixa perfeitamente nessas situações, amplificando a emoção através de diferentes ângulos de câmera e uma movimentação mais livre.
Os cenários merecem destaque à parte: ricos em detalhes e vibrantes em cores, representam um salto visual significativo em relação ao material anterior. O novo estilo artisticamente tridimensional pode gerar um período de adaptação para veteranos acostumados aos games bidimensionais, mas a apreciação vem rapidamente ao perceber a riqueza de elementos visuais distribuídos pelas fases. A trilha sonora permanece extraordinosa, e os personagens mantêm sua essência fiel ao que conhecemos.
A Ubisoft demonstrou savoir-faire ao equilibrar inovação e preservação, evitando macular a experiência dos fãs de longa data enquanto capta o interesse de jogadores que nunca tiveram contato com a série. Uma recriação que se prendesse a cada detalhe do original não teria razão de existir.
Outro ponto que merece elogios é a dublagem em português do Brasil. Saber que o lendário Guilherme Briggs estará interpretando Globox já justificaria a ansiedade pelo lançamento. O aguardado elenco conta ainda com nomes consolidados como Leandro Hainis e Bruno Casemiro, garantindo qualidade sonora nas cutscenes assistidas durante a demonstração.
Após o adiamento revelado recently, Rayman Legends Retold chegará aos consumidores em 3 de dezembro, disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, GeForce Now, além de plataformas digitais como Ubisoft Connect, Steam e Epic Games Store. As quatro horas de jogo testadas representam apenas uma fração do que o produto final oferece, o que aumenta ainda mais a expectativa para o lançamento oficial.
Fonte: IGN Brasil