A empresa Meta anunciou nesta semana uma mudança significativa em suas políticas de privacidade relacionadas aos óculos inteligentes. A gigante da tecnologia informou que permitirá que os usuários optem por não ter seus dados visuais capturados pelos dispositivos utilizados para treinar os sistemas de inteligência artificial da companhia.
Com essa nova opção, as pessoas poderão impedir que as interações baseadas em câmera com a assistente virtual sejam empregadas no aprimoramento dos modelos de aprendizado de máquina. As imagens registradas durante essas interações também não serão compartilhadas com empresas terceirizadas que atuam em outros países.
A Meta esclareceu que, caso o usuário tenha ativado a recusa e solicite uma tradução por meio dos óculos, os dados visuais serão utilizados apenas para responder à pergunta e depois descartados, sem serem armazenados para treinamento ou revisados para melhorias no produto.
Desde sempre, a empresa afirmou que o conteúdo real das fotografias tiradas com as câmeras dos óculos não era compartilhado. No entanto, gravações e imagens capturadas durante o uso da assistente virtual podiam ser empregadas para esse fim. Muitos usuários desconheciam essa prática, uma vez que esse material não era salvo no rolo da câmera do dispositivo.
Isso significa que qualquer comando direcionado à assistente virtual que envolvesse o uso da câmera — como perguntar o significado de uma placa — resultava no armazenamento daquelas imagens. Em alguns casos, essas gravações eram encaminhadas para empresas contratadas no exterior, responsáveis por revisar e classificar o material para o treinamento da inteligência artificial. Relatos indicam que alguns desses trabalhadores tiveram acesso a imagens pessoais e íntimas de pessoas durante a execução dessas tarefas.
A nova configuração aborda essa questão, embora se limite apenas aos dados visuais. As interações por áudio com a assistente virtual ainda podem ser utilizadas para treinamento e análise, ainda que a empresa permita a exclusão manual dessas gravações. A mudança surge em um momento em que a Meta enfrenta críticas de especialistas em privacidade e pelo menos uma ação judicial coletiva sobre o tema. Recentemente, a companhia também apresentou uma nova linha de óculos da marca Ray-Ban que não possui câmeras.