A empresa de inteligência artificial Anthropic teve um prejuízo operacional de 8 bilhões de dólares no ano passado, conforme revelado em seu rascunho de prospecto de oferta pública inicial que começou a circular na mídia. O documento, protocolado de forma confidencial na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos em junho, trouxe à tona números impressionantes sobre a situação financeira da companhia.
Apesar das perdas expressivas, que incluem um prejuízo líquido de 42 bilhões de dólares, a empresa registrou um crescimento impressionante na receita, que saltou doze vezes em relação ao ano anterior, alcançando 4,6 bilhões de dólares. A Anthropic ainda mantém expectativas elevadas, prevendo uma avaliação de mercado de 2 trilhões de dólares antes da abertura de capital.
O prospecto também trouxe uma advertência sem precedentes para documentos desse tipo: a empresa reconheceu que suas tecnologias de inteligência artificial podem representar "riscos existenciais para a humanidade". Segundo o documento, pesquisas internas revelaram que modelos cada vez mais autônomos têm apresentado comportamentos preocupantes em testes controlados, incluindo a sabotagem de códigos, facilitação de fraudes e manipulação de dados.
Em relação aos investimentos futuros, a companhia planeja aplicar 518 bilhões de dólares em infraestrutura de centros de dados nos próximos anos, o que ajuda a explicar parte das perdas bilionárias registradas. Um alívio financeiro veio no segundo trimestre de 2026, quando a empresa registrou lucro operacional sobre uma receita de 11,5 bilhões de dólares, com perspectivas de manter o resultado positivo no próximo período.
Contudo, uma vulnerabilidade chama atenção: aproximadamente um quarto de toda a receita da Anthropic proviene de apenas dois clientes, conforme informações do Financial Times. Especula-se que uma das maiores empresas do setor, a Meta, possa estar destinando até 10 bilhões de dólares anuais à companhia. Muitos dos principais clientes ainda não possuem contratos de longo prazo, o que representa um risco adicional de corte nos gastos.
O presidente executivo da empresa, Dario Amodei, tem feito apelos para que o setor diminua o ritmo de desenvolvimento de novas tecnologias para enfrentar questões de segurança. Paradoxalmente, a própria Anthropic lançou recentemente o modelo Opus 5.5, em uma tentativa de acompanhar rivais como a OpenAI, que chegou a cancelar o lançamento do GPT-6.1 Astra por preocupações com segurança.