O ser humano pode ser bastante irreverente, e não demorou muito para que, após a liberação das mãos no piloto automático da Tesla, algumas pessoas decidissem gravar e publicar imagens de si mesmas em situações íntimas no banco do motorista. Recentemente, o portal San Francisco Standard ouviu diversos relatos de pessoas que afirmaram ter mantido relações sexuais em táxis robóticos da Cruise, subsidiária da General Motors que já não existe mais.
"Não há ninguém para dizer que você não pode fazer isso. A sensação de liberdade vai aumentando progressivamente, e se você está com alguém, como um parceiro mais sério, as atividades podem evoluir para outras situações," declarou um dos entrevistados ao jornal. Alexandros Rouchitsas, pesquisador de fatores humanos e experiência do usuário, além de organizador de um workshop recente chamado "Amor no Trânsito", trouxe uma perspectiva cultural sobre o tema.
"Os interiores dos veículos foram sexualizados e apropriados para práticas sexuais desde sempre na cultura popular. Você pode ver isso em filmes, letras de músicas e fotografia," explicou Rouchitsas, cujo evento reuniu pesquisadores da academia e da indústria no final de setembro, na Suécia, para discutir como o design pode ajudar a resolver esse problema.
Uma das diferenças cruciais entre um táxi robótico e um veículo dirigido por humanos está na ausência da obrigação social de interagir com um motorista. Não há necessidade de conversas casuais, e o passageiro não precisa suportar opiniões desagradáveis de um condutor, o que pode levar as pessoas a suporem um nível de privacidade muito maior do que aquele realmente oferecido pelas câmeras internas e pelos termos de uso do serviço.
Essa foi uma lição aprendida da maneira mais difícil por um casal de adolescentes que pediu uma corrida de um veículo da Waymo, passou o trajeto consumindo bebidas alcoólicas e disparou bolinhas de gel pelas janelas durante o verão passado.
Fonte: Ars Technica