Início Jogos e Consoles Dan Houser, ex-diretor da Rockstar, conta como os ataques de 11 de setembro redesenharam GTA para sempre
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Dan Houser, ex-diretor da Rockstar, conta como os ataques de 11 de setembro redesenharam GTA para sempre

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Fonte: IGN Brasil
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As capas da série Grand Theft Auto são inconfundíveis. Aquela composição característica, com personagens e cenários de cada mundo aberto ilustrando as caixas dos jogos, virou marca registrada da franquia desde GTA 3, lançado em 2001, até o aguardado GTA 6. No entanto, o visual que todos conhecem quase não existiu.

Em entrevista exclusiva à nossa série especial, Dan Houser — antigo vice-presidente e roteirista-chefe da Rockstar Games, responsável por quase todos os títulos do estúdio entre 1999 e Red Dead Redemption 2, de 2018 — revelou os bastidores dessa história. Segundo ele, a arte que se tornaria símbolo da série nasceu de uma tragédia: os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

O designer Stephen Bliss criou a capa definitiva em apenas duas noites de trabalho intenso. O motivo? A imagem anterior, que mostrava edifícios em chamas, seria completamente inadequada para chegar às prateleiras após os ataques. "Se o 11 de setembro não tivesse acontecido, provavelmente manteríamos a arte original sem problema algum", explicou Houser. "Aquele estilo fragmentado e quadrado, que virou tão icônico, só existe por causa daquela tragédia."

Além da mudança visual, o conteúdo do próprio jogo precisou passar por ajustes. GTA 3 se passa em Liberty City, uma representação fictícia de Nova York, o que tornava a situação ainda mais delicada. "Alguns elementos seriam aceitáveis em circunstâncias normais, mas, após o 11 de setembro, pareciam excessivos", lembrou Houser. A equipe se mobilizou para remover referências sensíveis, alterar diálogos e fazer ajustes rápidos no material.

Essas alterações provocaram um pequeno adiamento no lançamento. O jogo estava inicialmente programado para 3 de outubro de 2001, mas chegou às lojas apenas em 22 do mesmo mês. Apesar de parecer um prazo apertado, Houser revelou que a pressão era enorme: "No início de 2001, a Take-Two estava à beira da falência. Tínhamos dificuldade para finalizar o projeto, mas acreditávamos que seria algo extraordinário. Levamos o jogo à feira E3 e o expusemos no estande, mas ninguém demonstrou interesse. Foi desanimador."

O sucesso, quando veio, foi gradual e consistente. As vendas se mantiveram estáveis semana após semana, crescendo entre o Natal de 2001 e o início de 2002. Não houve uma explosão imediata, mas um crescimento contínuo que consolidou a franquia.

Em uma entrevista anterior à revista Edge, em 2011, Houser detalhou algumas modificações específicas: a cor dos carros da polícia foi alterada para não ser idêntica à da polícia novaiorquina, a rota de um avião no jogo foi mudada para não parecer estar voando em direção a um arranha-céu, e uma missão inteira foi cortada por fazer referência direta a terroristas.

GTA 3 não foi o único produto afetado. A indústria do entretenimento como um todo sentiu o impacto. Outros jogos, como Command & Conquer: Red Alert 2, da Electronic Arts, reformularam suas embalagens. Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty, dirigido por Hideo Kojima, removeu cenas que mostravam a destruição de partes de Manhattan e da Estátua da Liberdade. Até trailers de filmes sofreram alterações: o de Homem-Aranha, dirigido por Sam Raimi, precisou ter uma cena cortada, e Homens de Preto 2 passou por extensas refilmagens.

GTA 6 tem lançamento previsto para 19 de novembro, exclusivamente para Xbox Series X|S e PlayStation 5.

Fonte: IGN Brasil

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