A Microsoft anunciou na quarta-feira (14) ter desativado uma ampla rede de fraudes virtuais que disparou mais de um bilhão de mensagens maliciosas durante o ano de 2026. Somente 750 milhões dessas mensagens tinham como alvo clientes da empresa, e mais de 75 mil organizações ao redor do mundo foram atingidas pelos ataques.
A operação, chamada internamente de ‘desmantelamento’, atingiu plataformas clandestinas como a YAM Store, além dos kits de golpe CoGUI e Iron Man, vendidos por assinatura a criminosos. O levantamento indica que os países mais impactados foram os Estados Unidos e o Japão, seguidos por Austrália, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Brasil. A ação conjunta envolveu a Microsoft, o Health‑ISAC e parceiros como TRM Labs, Resecurity, Cloudflare, Oracle e Proofpoint.
Os kits apreendidos permitiam a criação rápida de páginas fraudulentas que imitavam marcas conhecidas, como a Amazon, e até sites governamentais, a exemplo do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER‑SP). As mensagens eram enviadas por correio eletrônico e por SMS, sempre com um link para a página falsa e uma falsa sensação de urgência. Os objetivos incluem roubo de credenciais, captura de códigos de autenticação de dois fatores e fraudes financeiras com dados de pagamento.
Uma das peculiaridades da rede era a aceitação de criptomoedas como forma de pagamento pelos serviços de phishing. A YAM Store e suas afiliadas aceitavam stablecoins como USDT e a moeda Ethereum, o que agregava uma camada extra de ocultação às transações ilegais. A predominância de criminosos que falavam chinês também dificultou o trabalho de investigadores que não dominam o idioma, retardando a resposta internacional.
Embora a operação tenha paralisado os serviços, as empresas não divulgaram o valor total roubado pelas vítimas nem informaram sobre a apreensão de ativos digitais. O caso reforça a crescente utilização de moedas virtuais por grupos cibercriminosos para dificultar o rastreamento de suas atividades.
Fonte: Livecoins