O Superior Tribunal de Justiça rejeitou nesta sexta-feira o pedido de soltura de dois irmãos accusedos de orchestrar um sofisticado ataque cibernético contra a empresa de tecnologia financeira Sinqia. A corte manteve a prisão preventiva de Sidnei Borakouski e Cleiton Tobias Borakouski, ambos presos sob suspeita de integrar uma organização criminosa especializada em crimes financeiros digitais.
As investigações revelam que o grupo transformou recursos roubados de diversas instituições bancárias em criptomoedas, tentando apagar o rastro ilícito do dinheiro. A operação dos hackers envolveu um elevado nível de sofisticação tecnológica para invadir os sistemas da fintech alvo, conforme destacado pela ministra Nilsoni de Freitas ao suscribir a decisão.
As autoridades rastrearam o percurso de dezenas de milhões de reais após o ataque. A quadrilha enviou aproximadamente R$ 20 milhões em criptomoedas para a empresa Pactolo Contábil, na qual os dois investigados constam como sócios administradores nos registros comerciais. O esquema completo movimentou mais de R$ 47 milhões por meio de contratos fictícios.
Os advogados sustentaram que não havia fatos novos para justificar a manutenção da segregação e que o Ministério Público já possui todas as provas coletadas durante as diligências. O tribunal, contudo, identificou risco real de eliminação de evidências diante das habilidades dos suspeitos no manejo de redes descentralizadas.
Segundo o acórdão, os réus possuem capacidade técnica para acessar sistemas remotamente e ocultar ativos em carteiras digitais, facilitando o desaparecimento dos fundos e atrapalhando a recuperação do capital para as vítimas. Os promotores alertaram sobre valores milionários que permanecem fora do alcance das autoridades, e a soltura proporcionaria acesso irrestrito a essas fortunas ocultadas.
A corte também reforçou o receio de fuga para o exterior, considerando a quantidade de moedas digitais disponíveis nas carteiras dos operadores. A sentença afirma que a custódia se faz necessária diante da expressividade dos valores ilegais apurados.
A defesa ainda tentou obter prisão domiciliar para Sidnei, alegando necessidade de cuidar de um filho com deficiência autism. O pedido foi negado por ausência de documentos que comprovassem a impossibilidade de outros familiares prestarem assistência à criança. O tribunal reiterou que a recuperação integral dos ativos roubados permanece como condição primordial para qualquer eventual flexibilização das medidas cautelares.
Fonte: Livecoins