A Benchmark é conhecida por sua abordagem cautelosa no mundo agility do venture capital. Recentemente, a firma anunciou a captação de 2 bilhões de dólares distribuídos em dois fundos, um movimento raro para uma empresa que, ao longo de três décadas, manteve fundos significativamente menores. Durante o TechCrunch Disrupt, os cinco sócios gerais da firma se apresentaram juntos no palco, demonstrando uma coesão que contradiz o ritmo acelerado do setor.
Peter Fenton, um dos sócios mais antigos, explicou que o fundo principal de investimento inicial se manteve em 500 milhões de dólares por duas décadas, ajustando-se finalmente à economia atual. Segundo ele, a essência do trabalho permanece a mesma: acompanhar os fundadores de perto, com um compromisso que pode durar de 10 a 15 anos. 'Isso não escala', afirmou Fenton, referindo-se à proximidade necessária com cada empresa do portfólio.
O novo fundo de crescimento, com 1,25 bilhão de dólares, representa uma expansão do mandato da Benchmark. Fenton reconheceu que a firma deixou de aproveitar oportunidades que poderiam ter retornado entre 10 e mil vezes o capital investido, devido à sua focus restrito em estágios iniciais. Agora, a firma pretende fazer entre quatro e oito apostas concentradas neste novo veículo.
Ev Randall e Jack Altman foram as contratações mais recentes da firma. Randall chegou no final do ano passado, vindo de fundos como Founders Fund e Kleiner Perkins. Já Altman se juntou à equipe em fevereiro, deixando para trás um podcast amplamente popular e um fundo próprio de 275 milhões de dólares que ele havia captado em apenas uma semana. Ambos destacaram a cultura única da Benchmark, onde os cinco sócios não apenas se dão bem, mas se admiram mutuamente e aprendem uns com os outros.
Uma das características mais singulares da firma são as reuniões de segunda-feira, que acontecem sem qualquer pauta definida. Jack Altman tentou, sem sucesso, introduzir uma agenda formal, mas seus colegas rejeitaram a ideia. Eric Vishria explicou que o objetivo é manter uma conversa contínua e orgânica, onde possam discutir empresas interessantes, tendências emergentes e insights de reuniões com fundadores. A estrutura minimalista permite que a equipe seja ágil e reativa quando um fundador precisa de apoio para contratar executivos ou fechar parcerias estratégicas.
Sobre a dinâmica de investimento, os sócios enfatizaram que não existe um sistema de votação formal. Como a firma faz apenas duas ou três apostas novas por parceiro a cada ano, a tomada de decisão é mais fluida e baseada na confiança mútua. Peter Fenton observou que a Benchmark não busca ser um 'Shark Tank', mas sim manter uma postura de admiração diante das possibilidades, evitando empresas que possam gerar polarização na equipe.
No campo da inteligência artificial, os sócios discutiram o investimento da firma na empresa de chips Cerebras, feito em 2016, quando a Benchmark não investia em hardware há uma década. Eric Vishria lembrou que Peter Fenton inicialmente considerou a aposta contrária a tudo que havia aprendido sobre venture capital, mas mudou de posição após a apresentação dos fundadores. A empresa abriu capital este ano com uma trajetória volátil, exemplificando os desafios das empresas de IA nos mercados públicos.
Os sócios também comentaram sobre a saúde do ecossistema de IA. Ev Randall criticou a 'sala de eco hiperativa' das redes sociais, especialmente após a falência da Character.AI ser interpretada erroneamente como um resfriamento do setor de IA. Segundo ele, as empresas de IA enfrentam volatilidade por causa de informações frequentemente imprecisas ou exageradas para gerar cliques, mas a demanda real permanece robusta.
Sobre a centralidade de São Francisco no ecossistema tecnológico, todos concordaram que a cidade continua sendo o epicentro da inovação em IA. Jack Altman reconhece que não é obrigatório estar lá para ser fundador, mas é claramente o lugar mais fácil para encontrar talento, capital e clientes. Fenton completou que mais de 90% dos retornos históricos da Benchmark vieram de empresas fundadas na região, e o efeito de ecossistema que ocorre quando empresas bem-sucedidas atraem executivos talentosos e pessoas ambiciosas eleva continuamente o padrão de sucesso.
Fonte: TechCrunch