Mary Anne Franks dedicou sua carreira a lutar contra o abuso online e a exposição não consentida de imagens íntimas. Como professora da Escola de Direito da Universidade George Washington e presidente da Iniciativa Direitos Civis Cibernéticos, ela tem observado de perto as diversas formas como homens utilizam a internet para hostilizar mulheres.
Recentemente, Franks falou sobre um caso que gerou comoção nacional: uma ex-aluna da Universidade Cornell entrou com uma ação judicial alleging que sete membros de uma fraternidade a estupraram repetidamente durante sete horas, em 2024. A professora chamou atenção para o aspecto digital do caso: segundo a acusação, um dos suspeitos publicou uma foto íntima da jovem em um grupo do Snapchat da fraternidade, anunciando que ela estava disponível, o que atrair altri homens para o local.
Este episódio fez parte de um padrão preocupante: usuários das redes sociais imediatamente começaram a tentar identificar a vítima, conhecido apenas como Jane Doe. Franks observou que esse tipo de comportamento é extremamente comum quando casos de abuso sexual ganham repercussão online.
A especialista também explicou a evolução dos termos utilizados para descrever essas práticas. O termo 'vingança pornográfica' foi amplamente popularizado pelos próprios agressores, sugerindo que a vítima teria feito algo de errado. Já 'pornografia não consensual' tenta enfatizar que o problema está na falta de consentimento, não no conteúdo em si. Atualmente, Franks prefere a expressão 'abuso sexual baseado em imagens', que engloba desde a gravação sem consentimento até a manipulação digital de vídeos.
Sobre a questão da Primeira Emenda nos Estados Unidos, Franks foi enfática: universidades privadas não são limitadas por essa garantia constitucional. Isso significa que instituições podem punir comportamentos abusivos sem violar qualquer direito. A professora critique o que chamou de 'fetichização' da liberdade de expressão abstrata, que cria uma oposição falsa entre segurança física e o valor supremo do discurso.
'Quando permitimos que o abuso sexual aconteça com impunidade, estamos essencialmente dizendo que não nos importamos com as vozes das mulheres', declarou Franks. Ela inúmerou as consequências: jornalistas que abandonam suas carreiras por causa do assédio, políticas forçadas a deixar seus cargos após terem suas intimidades expostas, vítimas acuadas que param de falar e se expresar.
Outro fenômeno preocupante é o que Franks chamou de 'burnerverse': comunidades de contas anônimas em redes sociais, frequentemente compostas por estudantes universitários, que transformaram a exposição de mulheres em uma espécie de esporte. Um exemplo recente envolveu Maddie Kowalski, uma jovem de 20 anos cuja vida foi devastada após um vídeo íntimo não consentido circular amplamente após ser amplificado por contas anônimas.
A professora também falou sobre a 'muskificação' do debate sobre liberdade de expressão, riferendosi à forma como bilionários e provocadores de direita utilizam esse argumento para justificar comportamentos misóginos e racistas. 'Quanto pior você é, mais será elogiado', disse, descrevendo como essa retórica oferece permissão para atos terríveis.
Sobreadvice prático para mulheres jovens, Franks destacou a importância da autodefesa física e de programas que ensinem que 'não' é uma sentença completa. Para os homens, recomenda maior intenção no uso das redes sociais: 'Pense no que você está realmente gaining com essa experiência. Se você não faria algo na frente de alguém, por que faria online?'
Apesar do cenário sombrio, Franks encontrou esperança no trabalho jornalístico que continua a expor esses casos, mesmo diante de consequências negativas. 'Por que esses não são as histórias de heróis da liberdade de expressão que contamos?', questionou. 'Essa é uma história de coragem e dedicação'.
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