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Steam Frame: A aposta ambiciosa da Valve no mercado de realidade virtual que ainda precisa amadurecer

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A Valve lançou seu segundo headset de realidade virtual, o Steam Frame, tentando conquistar o trono dos jogos em VR. O dispositivo funciona de forma independente, como o concorrente Meta Quest 3, mas também permite transmitir jogos de um computador mais potente. A promessa é interessante, mas a execução apresenta falhas que impedem o aparelho de atingir todo seu potencial.

Em termos de especificações, o Steam Frame não decepciona completamente, embora esteja longe de ser uma máquina poderosa. O headset traz um processador Snapdragon 8 Gen 3, que já debuted em 2023, acompañado de 16 GB de memória RAM. O armazenamento interno pode ser de 256 GB por 1.059 dólares ou 1 TB por 1.299 dólares, com possibilidade de expansão através de cartão microSD.

O design impressiona pela estética moderna, com um invólucro preto elegante e frente brilhante que conferem um visual futurista. O conforto também foi bem trabalhado: com apenas 440 gramas, o aparelho é 75 gramas mais leve que o Quest 3. A bateria de íon-lítio de 21,6 watts-hora foi posicionada na parte traseira da alça, melhorando o equilíbrio. O único problema de conforto surge para quem usa óculos, pois as dimensões internas não acomodam a maioria dos modelos, sendo necessário adquirir lentes de prescrição personalizadas como acessório adicional.

A parte óptica conta com duas telas LCD do tipo pancake, oferecendo resolução de 2160 por 2160 pixels por olho. O campo de visão de 110 graus permite imersão ampla, enquanto as taxas de atualização variam entre 72 e 120 hertz, podendo chegar a 144 hertz em modo experimental. Os alto-falantes duplos direcionam o áudio diretamente aos ouvidos, embora falte graves. O sistema de microfones permite comandos de voz, e câmeras externas fornecem rastreamento posicional e visão do ambiente ao redor, albeit com visual monocromático azulado.

Os controles talvez sejam o ponto mais forte do conjunto. Os comandos duplicam a funcionalidade dos do Quest 3, mas agregam um layout completo de controle tradicional. Incluem sticks precisos, D-pad, botões faciais, gatilhos e um sistema que alterna entre modo controle e ponteiro laser para seleção em ambientes de realidade virtual. O rastreamento de seis graus de liberdade funciona excellentemente, com haptics de qualidade e sensores capacitivos por dedo.

Após a configuração inicial, o usuário acessa sua conta Steam diretamente no headset, que utiliza o SteamOS 3. A biblioteca de jogos pode ser instalada localmente, mas a compatibilidade deixa a desejar: da biblioteca pessoal de mais de 1.300 títulos, apenas 18 foram marcados como "Excelentes no Frame". Curiosamente, Half-Life: Alyx, que acompanha gratuitamente o aparelho, não aparece nessa lista mesmo rodando sem problemas.

O modo cinema virtual para jogos em duas dimensões funciona muito bem, especialmente para produções independentes e de médio porte. A experiência de jogar títulos como Hades II em escala equivalente a um cinema Imax é fantástica. Porém, a performance é inconsistente, com variações significativas de taxa de quadros e resoluções por vezes limitadas a 720p.

O recurso de transmissão sem fio deveria permitir conectar o Frame a um computador mais potente através de um adaptador dedicado de 6 GHz. Na prática, o pareamento apresentou problemas constantes, funcionando apenas ocasionalmente através da rede doméstica, o que causa lentidão irritante. A ausência de opção de conexão por cabo agrava a situação.

A duração da bateria representa outro ponto fraco: aproximadamente duas horas para jogos locais e até três horas em streaming. O preço elevado, somado ao processador já defasado de três anos, faz o investimento parecer questionável quando comparado ao Meta Quest 3, significativamente mais barato.

Apesar das falhas, o Steam Frame oferece diversão genuína. Os títulos de realidade virtual que funcionam corretamente são brilhantes, e o modo cinema para jogos tradicionais representa a melhor implementação desse recurso em headsets de VR. A Valve demonstrou coragem ao criar um dispositivo dedicado exclusivamente aos jogos, sem tentativas fracassadas de aplicá-lo a tarefas produtivas. Com atualizações de software e ajustes de compatibilidade, o aparelho ainda pode se destacar no mercado.

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