O universo da inteligência artificial na nuvem está se transformando em um verdadeiro mosaico de processadores especializados. Durante o segundo dia do Oracle AI World, realizado em Las Vegas, uma avalanche de anúncios sobre semicondutores tomou conta do evento, mostrando que a empresa não pretende depender exclusivamente de uma única fabricante de chips.
A grande novidade ficou por conta da parceria estratégica com o Google: a Oracle se tornará a primeira hyperscaler a disponibilizar as Unidades de Processamento Tensor (TPUs) fora da própria plataforma Google Cloud. Segundo Karan Batta, vice-presidente sênior de Infraestrutura Oracle na Nuvem, o acordo representa um compromisso sólido. "Não se trata de um experimento. Será um investimento em escala de gigawatt por parte da Oracle ao longo do tempo. A melhor forma de entender é que quando o Google lançar um novo TPU, nós o teremos disponível no primeiro dia", explicou.
A empresa também está negociando com grandes clientes a compra antecipada de capacidade energética, firmando contratos de 100 megawatts ou até um gigawatt com vários anos de antecedência. Batta destaca que o objetivo é oferecer flexibilidade máxima aos clientes. "Vivemos em um mundo com restrições significativas de oferta, mas também com custos crescentes, seja de memória ou de unidades de armazenamento. Quanto mais opções as pessoas tiverem, melhores decisões poderão tomar", afirmou.
Além dos TPUs do Google e das parcerias tradicionais com Intel, AMD e Nvidia, a Oracle está explorando fabricantes emergentes como Cerebras, Positron AI e SambaNova. Mahesh Thiagarajan, vice-presidente executivo da Oracle Cloud Infrastructure, revelou que toda a capacidade que a empresa está colocando em operação já está comercializada para 2027 e 2028, evidenciando uma demanda "insaciável" por computação de IA.
Thiagarajan aponta que o futuro da inteligência artificial tende a caminhar para cargas de trabalho de inferência cada vez mais especializadas, e empresas como Cerebras, SambaNova e Positron estão posicionadas para atender essa demanda, oferecendo processadores otimizados para funções específicas em vez da abordagem generalizada de CPUs ou GPUs tradicionais.
Em paralelo aos anúncios sobre chips, a estratégia de armazenamento da Oracle também ganhou destaque. A empresa fechou parcerias com Vast Data e WEKA para oferecer soluções de armazenamento de dados mais inteligentes e otimizadas para a era da IA. Rob Czarnecki, vice-presidente de armazenamento e serviços de dados da Oracle, defende a abordagem colaborativa. "Não precisamos fazer todo esse trabalho nós mesmos. Não fabricamos chips, mas oferecemos todos os chips de todos os fornecedores. Por que não faríamos o mesmo para armazenamento?", questionou.
Ele destaca que a inteligência artificial está trazendo novos desafios ao mundo do armazenamento, com volumes de dados crescendo dramaticamente e novas necessidades de conservação, desde o "armazenamento quente" para alimentar modelos de IA até arquivos de longo prazo. A empresa está trabalhando inicialmente no nível de software para acelerar a entrega aos clientes, com potencial para adotar também soluções de hardware no futuro.
"Com toda essa atenção voltada para armazenamento e IA, é realmente empolgante que o armazenamento esteja de volta à conversa, que esteja no coração desta revolução da inteligência artificial", concluiu Czarnecki.
Fonte: DCD