A gigante de tecnologia Apple intensificou a aquisição de componentes, especialmente chips de memória, ao longo do quarto trimestre fiscal encerrado em setembro. Os dados financeiros revelam que os estoques da empresa dispararam de 11,09 bilhões de dólares no terceiro trimestre para 14,54 bilhões de dólares no período seguinte, representando um avanço de 31,1%. Quando comparado ao mesmo intervalo do ano anterior, o crescimento é ainda mais expressivo: 154,3%, pois no quarto trimestre de 2025 os estoques estavam em apenas 5,72 bilhões de dólares.
A presidente-executiva da Apple, John Ternus, reconheceu durante conversa com analistas que o cenário atual dos preços de memória é sem precedentes. Em coletiva após a divulgação dos resultados, ele explicou que os custos com chips de memória aumentaram significativamente em relação ao trimestre de junho, embora esse impacto tenha sido parcialmente compensado pelos benefícios de manter estoques elevados e pela redução nos preços de determinados componentes que não envolvem memória.
As projeções para o trimestre de dezembro indicam uma margem bruta entre 45% e 46%, número inferior aos 47,9% registrados no trimestre de setembro, o que reflete a pressão dos custos de memória. Ternus adiantou que a empresa enfrenta custos ainda mais altos com memória para o período festivo, os quais devem ser mitigados parcialmente pelos ajustes de preços implementados anteriormente em alguns produtos, como computadores e tablets no final de junho e smartphones em setembro. O executivo também sinalizou que, após dezembro, a tendência de alta nos custos de memória deve persistir.
Para reforçar o fornecimento, a Apple elevou suas obrigações de compra junto a fabricantes em 33 bilhões de dólares entre junho e setembro, valor que será detalhado no relatório anual da companhia. O diretor de Operações, Sabih Khan, responsável pela cadeia de suprimentos e produção, participou da ligação com analistas para abordar especificamente as questões relacionadas à memória. Ele confirmou o aumento nas aquisições, mas não descartou novos reajustes nos preços dos dispositivos da marca.
Os problemas de fornecimento também afetaram as vendas de tablets, único segmento que não apresentou crescimento no período. Enquanto os lançamentos de smartphones e computadores superaram as expectativas do mercado, o iPad gerou receita de 6,2 bilhões de dólares, abaixo dos 6,7 bilhões projetados pelos analistas, representando uma queda de 10% em relação ao ano anterior.
Fonte: TechCrunch