O universo de Naruto carrega consigo inúmeras referências que passaram despercebidas pela maioria dos fãs ao longo dos anos. Entre essas influências, uma das mais notáveis veio diretamente do universo cinematográficos de ficção científica, mais precisamente do filme Matrix, lançado no final da década de 1990. Masashi Kishimoto, criador da célebre série, nunca escondeu sua admiração pelo gênero, e essa paixão ficou evidentíssima em detalhes específicos da obra.
Gaara, um dos ninjas mais complexos e apreciados pelos espectadores, possui uma conexão direta com Neo, protagonista do longa dirigido pelas irmãs Wachowski. Essa ligação não se restringe apenas ao visual, embora o sobretudo utilizado pelo personagem a partir de Naruto Shippuden seja uma homenagem direta ao terno longo e estilizado usado por Keanu Reeves. Existe algo mais profundo nessa inspiração, algo que transcende a estética e toca o campo emocional.
Durante uma entrevista concedida ao Los Angeles Times em 2008, Kishimoto revelou detalhes fascinantes sobre sua formação artística. Ele contou que, durante sua juventude, atravessou um período em que perdeu completamente o interesse pelo desenho. Foi somente após assistir ao filme Akira, de Katsuhiro Otomo, que sua perspectiva mudou. "Passei de copiar os personagens de Toriyama a passar horas estudando o estilo de Otomo. Akira me fez perceber que o design de produção, a perspectiva e as proporções no desenho de ficção científica cyberpunk poderiam atingir um nível hiper-realista e cinematográfico", explicou o mangá.
Essa revelação ajuda a entender por que tantos elementos de ficção científica aparecem em Naruto, desde criaturas gigantes até designs de personagens com aparência futurista. Não é coincidência que o Kazekage, título dado a Gaara, tenha um visual tão distinto. Kishimoto também confessou que Godzilla foi uma de suas principais influências, e essa inspiração ficou marcada em diversos momentos da série.
O trabalho posterior do autor, Samurai 8: A Lenda de Hachimaru, consolidou essa fusão entre ficção científica e estética japonesa clássica. Trata-se de uma mistura que demonstra como o mangá absorve diferentes influências e as transforma em algo único.
Embora a evolução de Neo e Gaara partam de pontos diferentes, há paralelos interessantes entre os personagens. Neo passa por uma jornada de aceitação de sua identidade como O Escolhido. Já a história de Gaara é consideravelmente mais sombria, marcada pela tragédia de sua infância como recipiente de chakra bestial, condição que o isolou e o transformou em alguém perigoso. Porém, quando a segunda parte do anime se inicia, Gaara já conseguiu aceitar o amor das pessoas ao seu redor e abraçar seu papel como guardião de sua vila. É nesse momento que os laços emocionais que o conectam a Neo se tornam mais evidentes, mesmo que de forma indireta.
A decisão de adaptar o visual de Gaara na segunda parte da história também teve uma razão prática: os figurinos originais dos personagens haviam ficado muito complexos para serem desenhados regularmente. Assim, o novo traje surgiu não apenas como uma solução gráfica, mas também como uma oportunidade de render uma inúmera referência aos fãs de ficção científica.
Fonte: IGN Brasil
