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Musk inflaciona promessas na primeira teleconferência de resultados da SpaceX, enquanto executivos tentam conter o ímpeto

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Image Credits:Sean Gallup / Getty Images — Fonte: TechCrunch
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Na primeira teleconferência de resultados da SpaceX, realizada nesta terça-feira, Elon Musk não economizou em previsões grandiosas sobre o presente e o futuro da empresa — e coube aos seus executivos mais próximos a tarefa de tentar traduzir o entusiasmo quase sideral do bilionário em afirmações mais palatáveis para o mercado financeiro.

O episódio reacendeu um padrão cada vez mais familiar: Musk lança declarações estratosféricas e seus subordinados precisam administrá-las diante dos investidores, exatamente como já ocorre na Tesla, onde análises recentes mostram que o homem mais rico do mundo tem se dedicado a temas cada vez mais futuristas, enquanto seus colegas perdem tempo discutindo o negócio concreto de vender carros.

Uma das afirmações mais impactantes veio quando Musk declarou que o serviço Starlink poderá 'fornecer a maior parte da internet do mundo' em 'menos de 10 anos'. O comentário surgiu no contexto do lançamento iminente da versão V3 dos satélites Starlink, que prometem largura de banda muito superior à das gerações anteriores.

'É difícil para as pessoas compreenderem, mas não está fora de questão que, em algum momento, o Starlink entregue a maior parte da internet do planeta, pelo menos nos países onde nos for permitido operar, que são a grande maioria', disse Musk. 'Não é um futuro infinito. É, digamos, menos de 10 anos.'

Poucos minutos depois, a diretora de operações Gwynne Shotwell ofereceu uma versão consideravelmente mais moderada da mesma ideia: 'A capacidade significativa que conseguiremos adicionar à constelação Starlink com os satélites V3 nos permitirá continuar oferecendo um serviço ainda melhor — e ele já é bastante bom —, atendendo cada vez mais clientes pelo mundo afora. Na verdade, nos próximos anos, esperamos que o Starlink represente uma parcela significativa do tráfego global de internet, como o Elon também mencionou.'

A distância entre as duas falas é notável. A declaração de Shotwell é claramente mais protegida juridicamente, ainda que mantenha o tom ambicioso.

O mesmo contraste apareceu quando o diretor financeiro Bret Johnsen apresentou uma das poucas metas financeiras concretas da teleconferência, relacionadas ao negócio relativamente novo de aluguel de capacidade computacional para empresas de inteligência artificial. Johnsen afirmou que a empresa está 'em uma trajetória' para alcançar 100 bilhões de dólares em receita anualizada até o final deste ano, uma projeção formulada com cuidado evidente para empolgar investidores sem criar exposição legal excessiva.

Mas Musk, cerca de vinte minutos depois, tratou de ampliar a própria declaração de seu executivo: 'Para ser claro, os 100 bilhões de dólares de receita anualizada em dezembro não são uma incógnita. É o que alcançaríamos se basicamente não fizéssemos nada. Acho que pode ser mais do que isso. Provavelmente será mais do que isso.'

O empresário também antecipou uma meta geral de receita, informando que as projeções internas para atingir 1 trilhão de dólares em receita — não anualizada, mas total — foram adiantadas de 2031 para 2030, com 'uma chance não desprezível' de que isso aconteça em 2029. A meta original havia sido divulgada há apenas dois meses, nos documentos da oferta pública inicial da empresa.

Quando um acionista perguntou sobre o andamento do sistema de pouso humano que a SpaceX desenvolve para as missões lunares Artemis da NASA, Musk praticamente garantiu que o protótipo do foguete Starship estará pronto para transportar pessoas até o final do próximo ano. Logo em seguida, afirmou que a empresa realizará voos com o Starship uma vez por dia, 'ou possivelmente mais', até essa mesma época no ano que vem.

Shotwell reagiu de imediato, buscando ancorar as expectativas nos marcos exigidos pela NASA e propondo uma meta mais vaga: 'Queremos colocar botas no chão, botas na Lua, em 2028.'

Nada disso, porém, se concretizará sem que a SpaceX consiga demonstrar que o Starship é capaz de voar repetidamente sem falhar e, sobretudo, de se tornar totalmente reutilizável. Um elemento central dessa reutilização é o escudo térmico que protege o estágio superior do foguete durante a reentrada na atmosfera terrestre. A empresa obteve seus melhores resultados com o escudo térmico aprimorado no voo de teste mais recente, que amerissou no Oceano Índico no mês passado e segue intacto.

Mesmo antes de o estágio do foguete ter sido recuperado, Musk já declarava na teleconferência que consideraria 'o problema do escudo térmico resolvido neste momento'.

Musk acumula um histórico de promessas extravagantes sobre a SpaceX que nunca saíram do papel, como em 2016, quando afirmou que enviaria humanos a Marte em seis anos. A diferença agora é que a SpaceX se tornou uma empresa de capital aberto, supostamente sujeita a regulamentações e sanções caso faça previsões que sabe não poder cumprir.

Contudo, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos recuou significativamente na fiscalização corporativa, especialmente contra empresas listadas em bolsa. O Departamento de Justiça americano segue o mesmo caminho. E, caso a SpaceX não consiga cumprir as previsões audaciosas de Musk, os investidores terão poucas opções no âmbito civil — a empresa se protegeu contra esse tipo de ação ao se registrar no Texas.

Fonte: TechCrunch

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