O Papa Leão XIV pode ter recorrido à inteligência artificial para redigir partes de sua mais recente encíclica sobre os impactos da IA na humanidade. A descoberta foi feita por meio de uma análise independente publicada no fórum LessWrong, que utilizou ferramentas de detecção para avaliar o documento.
A análise Independente
O pesquisador Linch Zhang foi o responsável por examinar a encíclica "Magnifica Humanitas". Utilizando o detector de IA Pangram, Zhang identificou que determinados parágrafos do documento apresentam entre 40% e 100% de probabilidade de terem sido escritos por inteligência artificial. Os resultados levantaram questões sobre a autenticidade de trechos significativos do texto papal.
Metodologia de detecção
Além da análise de Zhang, outra pessoa submeteu o texto da encíclica seção por seção ao Pangram. Os dados revelaram que 62% do primeiro capítulo apresenta características associadas à geração de conteúdo por IA. O detector analisa padrões linguísticos, estruturas sintáticas e marcas características que diferem da escrita humana tradicional.
Marcadores linguísticos identificados
O estudo destacou traços específicos encontrados em textos gerados por IA. Um dos principais indicadores foi o uso recorrente da palavra "genuinely" (genuinamente, em inglês), que aparece com frequência muito superior em escritos da inteligência artificial Claude, da Anthropic, comparativamente às encíclicas anteriores do Papa. Esses padrões linguísticos tornaram-se distintivos na identificação de conteúdo automatizado.
A revelação surge em um contexto paradoxal: a encíclica aborda precisamente os perigos e desafios éticos apresentados pela inteligência artificial, inclusive questões sobre autenticidade e responsabilidade na produção de conteúdo. O Vaticano ainda não se pronunciou sobre as descobertas.
Fonte: https://www.theverge.com
