Antes de dois de seus supostos membros serem presos e indiciados na Austrália no mês passado, o grupo hacker conhecido como TeamPCP realizou uma série de ataques sem precedentes na história. A organização contaminou centenas de programas de código aberto com malware, roubou contas de desenvolvedores para dar continuidade aos ataques à cadeia de suprimentos de software e até lançou um verme autorreplicante com temática de Dune para automatizar o processo, comprometendo ao final mais de mil empresas.
Agora o grupo de inteligência contra ameaças do Google revelou que, durante um momento crucial da investida do TeamPCP, um pesquisador undercover da própria empresa havia se infiltrado no grupo. Essa posição privilegiada permitiu ao Google monitorar a série de ataques por dentro, alertar os alvos das invasões e até ajudar a interromper as tentativas de exploração das vítimas.
Em uma apresentação na conferência de pesquisa LABScon da empresa de segurança SentinelOne, Austin Larsen, pesquisador do grupo de inteligência contra ameaças do Google, apresentará detalhes sobre a investigação e infiltração no TeamPCP em meio à campanha caótica e sem precedentes de ataques à cadeia de suprimentos. Segundo Larsen, o Google acabou seguindo um rastro de erros de segurança operacional supostamente cometidos por um dos dois australianos agora acusadas de serem membros importantes do grupo hacker, e repassou detalhes importantes de identificação às autoridades.
A empresa também recebeu informações de inteligência do ShinyHunters, outro grupo cibercriminoso notório que trabalhou com o TeamPCP, mas que posteriormente se voltou contra os hackers da cadeia de suprimentos. E talvez o mais surpreendente, Larsen afirma que a Mandiant, subsidiária de segurança do Google, possuía um analista infiltrado — não ele próprio — dentro do círculo interno do grupo quase desde o início da atuação do TeamPCP em evidência.
Fonte: Ars Technica