Em uma manhã úmida e acinzentada de sábado, no centro da Flórida, pouco menos de uma dezena de pessoas se concentrou em frente à Biblioteca do bairro de Spring Hill para protestar contra a construção de um centro de dados de larga escala planejado para a comunidade. A mobilização chamou a atenção por reunir, em sua maioria, idosos com posições políticas conservadoras que compartilham pautas e métodos frequentemente associados a movimentos progressistas.
Apesar de a comissão do condado de Hernando ter aprovado por unanimidade, no mês de junho, uma moratória de um ano para novos empreendimentos desse tipo, os organizadores consideraram a medida provisória insuficiente. Para eles, somente uma proibição total pode garantir a proteção do modo de vida local contra os impactos negativos trazidos por essas instalações tecnológicas.
Sob uma tenda montada com cartazes e panfletos, uma aposentada de 71 anos identificada como Carol atendia os participantes em uma mesa com material informativo e uma petição que o coletivo "No Data Centers Hernando County" pretende entregar às autoridades competentes. Em tom firme, a senhora resumiu o sentimento do grupo em uma frase que se tornou o lema da mobilização: "Vamos lutar, lutar e lutar".
O fenômeno evidencia como a expansão da infraestrutura ligada à inteligência artificial tem aproximado perfis ideológicos que, em outras pautas, costumam estar em lados opostos do debate. Moradores conservadores que defendem valores tradicionais se veem, agora, compartilhando com ativistas de esquerda bandeiras como a preservação ambiental, a qualidade de vida e o controle comunitário sobre o uso do solo.
Fonte: The Verge
