As autoridades monetárias do bloco europeu divulgaram nesta terça-feira um amplo relatório em que solicitam a revogação da regra que determina o patamar mínimo de 60% para as reservas de stablecoins depositadas em instituições bancárias.
De acordo com o documento, as empresas que emitem stablecoins são obrigadas atualmente a manter a maior parte do lastro de suas moedas em contas bancárias. Contudo, especialistas apontam que essa exigência pode provocar sérios problemas de liquidez nas instituições financeiras caso ocorra uma fuga massiva de investidores de determinada stablecoin.
O mecanismo de risco funciona nos dois sentidos. Por um lado, se muitas pessoas tentarem resgatar seus recursos simultaneamente, o emissor precisaria sacar rapidamente seus depósitos, o que poderia comprometer o financiamento dos bancos. Por outro lado, a falência de um banco pode afetar diretamente a stablecoin que possui reservas aplicadas nessa instituição.
Um episódio emblemático ocorreu em março de 2023, quando dificuldades enfrentadas por um banco americano provocaram uma corrida contra a stablecoin USDC. Na ocasião, a moeda digital chegou a ser negociada por valores bem abaixo da paridade com o dólar americano, desvalorizando-se temporariamente até que a empresa emissora conseguissenormalizar a situação.
Os autores do relatório alertam que o estresse no mercado de criptomoedas pode se propagar para o sistema bancário europeu justamente por causa dessa ligação criada pela regra de sessenta por cento. Por isso, recomendam que o patamar mínimo diário seja reduzido para apenas quarenta por cento.
Além disso, o documento propõe uma revisão dos requisitos de liquidez, sugerindo diferentes percentuais para tokens significativos e não significativos. A análise também destaca que a regulamentação atual reduz a rentabilidade das emissoras, uma vez que depósitos à vista oferecem rendimentos limitados.
Nas redes sociais, Paolo Ardoino, executivo da Tether, informou que a USDT abandonou o mercado da União Europeia justamente devido a essa obrigação. Segundo ele, a empresa recusou uma licença europeia por causa da cláusula que exige manter grande parte dos recursos em bancos comerciais.
Paralelamente, o Banco Central Europeu lançou recentemente uma solução chamada Pontes para liquidação de ativos tokenizados, evidenciando os avanços do bloco em direção à digitalização de seu sistema financeiro.
Fonte: Livecoins