O bilionário Bill Gates publicou um extenso ensaio em seu site pessoal propondo medidas para mitigar os efeitos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. O documento, com cerca de seis mil palavras, também serviu de base para uma entrevista concedida por Gates ao jornal americano New York Times.
Entre as principais ideias apresentadas, destaca-se a criação de um imposto sobre o processamento de dados realizado por sistemas de inteligência artificial. Gates argumenta que, atualmente, enquanto empresas contribuem com encargos sociais sobre os salários de funcionários humanos, quando a tecnologia substitui um profissional, a mesma companhia pode declarar esse investimento como despesa operacional dedutível.
"Nosso sistema fiscal empurra as organizações na direção de trocar pessoas por máquinas", afirmou Gates. O empresário defende que a arrecadação provenientes desse novo tributo poderia ser destinada à requalificação profissional dos trabalhadores afetados e ao fortalecimento da rede de proteção social.
O texto também propõe a criação de empregos classificados como "reservados para humanos", abrangendo funções que exigem empatia e sensibilidade humana, como atividades de cuidado e assistência. Gates utiliza o exemplo de um trabalhador de 55 anos que passou toda a vida na construção civil e não poderia ser simplesmente redirecionado para cuidar de idosos com expectativas realistas de satisfação profissional.
Na área da saúde, Gates sustenta que, embora um robô tecnicamente pudesse transmitir um diagnóstico grave a um paciente, essa função deveria permanecer exclusivamente humana. A inteligência artificial poderia auxiliar em diagnósticos e análises, mas a comunicação de notícias difíceis necessita do toque humano.
Líderes do setor de tecnologia também manifestaram preocupações semelhantes. Sam Altman, diretor executivo da empresa criadora do ChatGPT, declarou anteriormente que "categorias inteiras de profissões vão desaparecer e não retornarão". Dario Amodei, fundador da Anthropic, alertou que a inteligência artificial poderia "eliminar" metade de todos os cargos de colarinho branco.
Estudos indicam que dezenas de milhares de empregos foram perdidos no último ano devido à automação inteligente, e economistas preveem novas ondas de demissões. A crescente rejeição popular à inteligência artificial tem gerado consequências práticas, com consumidores protestando contra conteúdos produzidos automaticamente e políticos se posicionando contra a construção de centros de processamento de dados em suas regiões.
Fonte: Mashable

