A plataforma de hospedagem lançou recentemente sua nova ferramenta de busca baseada em inteligência artificial como parte de sua atualização de outono, marcando um movimento importante para uma empresa que historicamente adotou uma postura cautelosa em relação à tecnologia emergente. O fundador e diretor-executivo da empresa acredita que interfaces baseadas apenas em robôs conversacionais não são adequadas para a descoberta de destinos turísticos.
Em entrevista concedida por videoconferência, Chesky explicou sua visão sobre o futuro das interfaces digitais e por que a inteligência artificial para consumidores ainda não atingiu seu potencial máximo. O executivo sostiene que os chatbots apresentam limitações significativas quando utilizados em processos de compra, uma vez que apresentam poucas opções de cada vez e exigem múltiplas interações antes de alcançar um resultado satisfatório.
Contudo, Chesky reconhece que a atual versão da busca da plataforma também não representa a forma definitiva. Ele prevê o surgimento de uma interface intermediária, que combine elementos dos chatbots com funcionalidades mais elaboradas de navegação. O empresário também alertou que as pessoas costumam encontrar maior prazer no planejamento e na antecipação de uma viagem do que na viagem propriamente dita, tornando essencial preservar a experiência inspiradora de descoberta.
Outro desafio identificado pelo executivo refere-se à natureza individual dos chatbots. Ele argumenta que essas ferramentas não funcionam bem como interfaces colaborativas, algo fundamental para um serviço frequentemente utilizado por famílias e grupos de amigos. Nos próximos meses, a empresa trabalhará no desenvolvimento de inteligência artificial multipremium, permitindo que várias pessoas participem simultaneamente do processo de planejamento de uma viagem.
A visão de Chesky vai além da própria plataforma. Ele acredita que a indústria de tecnologia necessita de um verdadeiro sistema operacional dedicado à inteligência artificial. Atualmente, os desenvolvedores criam aplicações de inteligência artificial para sistemas existentes que não foram projetados para essa finalidade. Em sua opinião, a inteligência artificial deveria operar no nível mais fundamental dos sistemas computacionais, permitindo que todos os componentes interajam entre si de maneira fluida.
O executivo também revelou planos para interações entre agentes inteligentes de diferentes plataformas. Sua teoria é que aplicativos podem se transformar em agentes com capacidades de comunicação direta, tornando todos interoperáveis sem a necessidade de acordos comerciais específicos entre empresas. Ele imagina um futuro em que o aplicativo da plataforma de hospedagens funcione como um agente central, capaz de se comunicar com agentes de outros serviços.
Sobre a tecnologia de voz, Chesky acredita que as pessoas eventualmente falarão mais com seus dispositivos do que digitarão. A empresa planeja lançar agentes de voz ainda neste outono para auxiliar usuários nas buscas e no atendimento ao cliente. Internamente, o executivo relatado que a inteligência artificial tem ajudá-lo a obter informações de forma mais ágil, reduzindo significativamente o número de reuniões necessárias para o exercício de suas funções.
Fonte: TechCrunch