Em um episódio clássico do desenho animado Birdman, o herói enfrenta o vilão Dr. Shark dentro de um submarino e precisa recarregar seus poderes, mas não consegue porque não há energia solar disponível. Essa situação fictícia pode estar com os dias contados gracias a uma descoberta fascinante de pesquisadores da Universidade de Yunnan, na China.
Uma equipe liderada pela pesquisadora Simin Ma desenvolveu células solares feitas de um material chamado perovskita, que se diferencia das tradicionais células de silício por diversas características importantes. As células de perovskita podem ser produzidas a baixo custo, podem assumir formas versáteis como filmes finos e flexíveis, e conseguem converter uma quantidade significativamente maior de energia luminosa em eletricidade. Contudo, esses materiais apresentam uma fragilidade conhecida: tendem a se degradar rapidamente quando expostos à umidade.
A água sempre foi considerada uma inimiga das células solares de perovskita, tornando-as uma escolha aparentemente inadequada para aplicações subaquáticas. No entanto, esses materiais possuem uma propriedade extraordinária que muda completamente o jogo: podem ser ajustados para absorver diferentes comprimentos de onda da luz. Enquanto as células de silício dependem de comprimentos de onda que são rapidamente bloqueados pela água, as células de perovskita cuidadosamente projetadas conseguem capturar luz mesmo em águas profundas.
Além disso, as condições encontradas no ambiente aquático podem favorecer a durabilidade dessas células. Os níveis mais baixos de luminosidade e as temperaturas mais amenas encontradas debaixo d'água podem contribuir significativamente para prolongar a vida útil desses dispositivos, compensando parcialmente sua tendência natural à degradação.
Fonte: Ars Technica