O planeta Vênus sempre intrigou os astrônomos, mas um novo estudo finalmente trouxe respostas para um dos seus segredos mais duradouros. Pesquisadores do Japão conseguiram explicar a origem da misteriosa camada amarelada que envolve a parte inferior da atmosfera venusiana, um fenômeno observado pela primeira vez há mais de cinco décadas.
A descoberta foi possível graças ao trabalho do cientista planetário Hiroki Karyu e sua equipe da Universidade Tohoku, em Sendai. Utilizando um modelo microfísico sofisticados, os pesquisadores simularam os processos que ocorrem em escala microscópica para formar nuvens e precipitação em corpos celestes. Os resultados revelaram que a névoa é composta por partículas cósmicas provenientes de meteoros que se desintegram ao entrar na atmosfera do planeta.
De acordo com o estudo publicado na revista Nature Astronomy, quando as chamadas "estrelas cadentes" queimam na atmosfera de Vênus, deixam para trás minúsculas partículas de poeira cósmica. Essas partículas interagem com o ácido sulfúrico presente na atmosfera, resultando na formação da camada de névoa que envolve o planeta.
Karyu explicou que o fluxo contínuo de poeira cósmica é suficiente para manter essa camada de névoa inferior, compatível com a distribuição de tamanho de partículas observada pelas sondas que entraram na atmosfera de Vênus. Além disso, essas partículas de origem cósmica funcionam como núcleos de condensação eficientes, favorecendo a formação de nuvens em toda a camada principal de nuvens do planeta, mesmo em regiões distantes de onde foram geradas.
Fonte: Ars Technica