A história da evolução humana costuma ser contada com base nos cruzamentos conhecidos entre os seres humanos modernos e nossos parentes mais próximos, os neandertais e os denisovanos. Esses episódios de mistura genética deixaram marcas mensuráveis no genoma das populações atuais, com cerca de 2% do DNA de muitas pessoas vindo dos neandertais. No entanto, novas pesquisas indicam que existe um capítulo desconhecido nessa narrativa.
Pesquisadores utilizaram técnicas analíticas recentes para investigar o material genético de diferentes populações humanas. Eles encontraram sinais de um terceiro grupo com o qual nossos ancestrais teriam se cruzado, em um período anterior às grandes migrações que tiraram os humanos modernos da África. O diferencial é que, ao contrário dos neandertais e denisovanos, ainda não foi possível sequenciar o genoma completo desse grupo misterioso, que recebeu o apelido de "linhagem fantasma".
Suspeitas sobre essa herança genética incomum já circulavam entre geneticistas há anos, mas faltavam provas mais sólidas. A dificuldade vinha justamente do fato de que a contribuição neandertal não é uniforme entre as pessoas, o que tornava complicado identificar padrões de ancestralidade diferente. Com o avanço dos métodos de análise, foi possível separar os sinais e encontrar indícios consistentes de que houve, sim, cruzamentos com uma população arcaica desconhecida.
As implicações dessa descoberta são significativas para o entendimento da nossa história evolutiva. Se confirmada e aprofundada, a pesquisa sugere que a árvore genealógica humana é ainda mais ramificada do que se imaginava, com populações inteiras que viveram, se misturaram e desapareceram sem deixar registros fósseis suficientes para serem identificadas. A "linhagem fantasma" representa, portanto, um capítulo escondido no DNA de todos nós, esperando para ser desvendado por futuras investigações científicas.
Fonte: Ars Technica
