A pesquisa CertiK Intel3D Wrench Attacks – H1 2026 trouxe à tona um cenário preocupante para o universo das moedas digitais. Entre janeiro e junho deste ano, foram confirmados 52 ataques físicos coercitivos contra detentores de criptomoedas em todo o planeta, o que representa um salto de 33,3% em comparação aos 39 registros verificados no mesmo intervalo de 2025.
O impacto financeiro desses crimes também atingiu patamares alarmantes. A exposição total saltou de aproximadamente 10,5 milhões de dólares no primeiro semestre do ano passado para 124,2 milhões de dólares em igual período de 2026, uma escalada de cerca de 1.079%. O valor médio por incidente quase multiplicou-se por nove, passando de cerca de 270 mil dólares para 2,39 milhões de dólares.
As invasões a domicílios se firmaram como o principal vetor ofensivo, saltando de um único registro para 20 ocorrências no período analisado. O continente europeu concentrou 75% dos episódios mapeados, totalizando 39 casos, e a França despontou como o epicentro global do problema, isolando 33 ocorrências. O país reúne um ecossistema cripto robusto, com corretoras, fundadores, investidores e eventos frequentes do setor, além de ter enfrentado recentemente uma série de vazamentos de dados em entidades públicas e privadas.
Na América do Sul, o Brasil foi o único a registrar incidentes, mas com tendência de queda: cinco casos no primeiro semestre de 2025 caíram para um no mesmo intervalo de 2026.
O estudo chama atenção ainda para a convergência entre ameaças digitais e físicas. Criminosos passaram a cruzar informações obtidas em vazamentos de dados, redes sociais, cadastros públicos, dados de clientes e movimentações em blockchain para identificar alvos de alto patrimônio. Nesse contexto, o ataque físico surge como o desfecho de uma operação que começa no ambiente on-line.
"Observamos uma convergência entre riscos digitais e físicos. Isso exige que empresas tratem segurança de infraestrutura, governança de acessos e proteção de dados como partes de uma mesma estratégia", afirma Jason Jiang, executivo-chefe de negócios da CertiK. Para ele, a segurança no ambiente descentralizado precisa ser pensada de forma integrada, unindo auditorias de código, proteção de infraestrutura, governança de acessos, monitoramento de riscos e políticas de proteção de dados.
A empresa disponibiliza o Serviço de Segurança Operacional, voltado a executivos e organizações que desejam mapear e reduzir a exposição de informações sensíveis, como identidade, rotina, acessos privilegiados e dados de clientes e colaboradores. O portfólio inclui testes de intrusão, avaliações da gestão de chaves criptográficas, análises de resiliência contra tentativas de phishing e acessos não autorizados, entre outras iniciativas.
A plataforma CertiK Security Workspace integra inteligência de ameaças do ambiente web tradicional, investigações em blockchain e análises de prevenção à lavagem de dinheiro, oferecendo uma visão unificada dos riscos que cercam organizações do setor.
Em 2026, a CertiK também anunciou o fortalecimento da cooperação com agências internacionais de aplicação da lei, como a Interpol e a Europol, com foco no compartilhamento de inteligência, resposta a incidentes, apoio a investigações e recuperação de ativos ligados a crimes envolvendo moedas digitais.
Fonte: Livecoins
