Isabel Schnabel, integrante do comitê executivo do Banco Central Europeu, pronunciou-se nesta sexta-feira advocating a incorporação da tecnologia de registro distribuído às operações da instituição. O pronunciamento aconteceu durante o Simpósio de Política Econômica realizado em Jackson Hole, evento que reúne os principais nomes da área financeira mundial.
O encontro contou com a presença de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, que expressou preocupação com o cenário inflacionário norte-americano. Esse posicionamento acabou influenciando o desempenho do Bitcoin e de outros ativos financeiros ao redor do globo.
Apesar de o euro representar uma das moedas mais sólidas existentes, o mercado de moedas estáveis permanece dominado por ativos vinculados ao dólar. Em junho último, Christine Lagarde, presidente do BCE, enfatizou a necessidade de acelerar o desenvolvimento do euro digital, justamente para reduzir essa dependência.
Schnabel argumentou que a adoção do registro distribuído permitiria à instituição explorar as vantagens inerentes a essa inovação. Em suas palavras, os bancos centrais precisam ingressar nesse ambiente para captar todos os benefícios, o que implica migrar a moeda oficial para um contexto tokenizado e reformular os instrumentos de execução da política monetária.
Diferentemente das soluções existentes no mercado, que dependem de empresas do setor privado, a proposta apresentada não envolveria intermediação particular. A implementação de contratos automatizados possibilitaria maior adaptabilidade na condução monetária, permitindo a criação de estruturas operacionais inéditas e a alteração instantânea de parâmetros como taxas de juros, exigências de garantias e condições de acesso.
Essa visão recebe respaldo de importantes atores do setor. Em evento separado, Changpeng Zhao, fundador da maior exchange de criptomoedas, recomendou que nações emitam suas próprias moedas estáveis. Contudo, essa facilidade cambial tende a gerar efeitos mais expressivos em economias com moedas frágeis, cenário que não se aplica à União Europeia. Um levantamento recente conduzido pelo Federal Reserve demonstrou que cidadãos migram para moedas estáveis em períodos de turbulência, analisando nações como Turkiye, Rússia, Egito, Nigéria, Argentina e Irã ao longo do último quinquênio.
Embora a chegada do euro digital esteja projetada para 2029, o BCE investiga alternativas complementares para impulsionar a modernização econômica da zona do euro. Schnabel destacou duas iniciativas específicas: o Projeto Ponte, que busca conectar soluções baseadas em registro distribuído ao sistema de pagamentos do Eurosistema com foco imediato, e o Projeto Appia, que estuda a infraestrutura necessária para um mercado financeiro europeu completamente tokenizado em perspectiva de longo prazo. Os ganhos dessas iniciativas podem ser especialmente relevantes para a região, onde a tokenização poderia otimizar a eficiência dos mercados e superar a histórica fragmentação das estruturas financeiras do continente.
Fonte: Livecoins

