A empresa americana Sila conseguiu um empréstimo de 1,4 bilhões de dólares do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para expandir a produção de seu material de anodo de silício-carbono destinado a baterias. O anúncio foi feito na sexta-feira e marca um movimento estratégico do governo americano para reduzir a dependência de materiais importados da China no setor de baterias.
Atualmente, a maior parte dos anodos de baterias de íon-lítio utiliza grafite, e a cadeia de suprimentos desse material é dominada por empresas chinesas. A Sila, assim como outras empresas do setor como a Group14 e a Amprius, está investindo em anodos de silício, uma tecnologia que promete armazenar de 20% a 40% mais energia em comparação com os anodos de grafite tradicionais. Essa maior densidade energética pode viabilizar células de maior duração ou baterias menores e mais leves, características altamente desejadas para aplicações militares e de mobilidade, incluindo drones e veículos elétricos.
A fábrica da Sila está localizada em Moses Lake, no estado de Washington, o que a torna uma das poucas fontes de material para anodos que não sofrem restrições tarifárias ou preocupações geopolíticas. A unidade começou a operar em setembro e, em sua capacidade atual, consegue produzir aproximadamente 2 gigawatt-hora de material para anodos por ano. A empresa trabalha agora para expandir a fábrica em cinco vezes, o que permitiria produzir material suficiente para mais de 100 mil veículos elétricos.
Em julho deste ano, a Sila captou 300 milhões de dólares para financiar a expansão da fábrica, em uma rodada liderada pelos fundos Atreides Management e Sutter Hill Ventures. De acordo com dados da PitchBook, a empresa já levantou mais de 1,5 bilhões de dólares de investidores privados até o momento. A companhia já fechou acordos comerciais com as montadoras Mercedes e Panasonic, e o novo empréstimo do Pentágono pode abrir portas para contratos com empresas do setor de defesa, que vêm fechando acordos milionários em meio aos conflitos armados em diferentes regiões do mundo.
Além do empréstimo destinado à Sila, o Departamento de Defesa anunciou financiamentos para outras três empresas. A Sunrise Energy Metals, empresa australiana, receberá 400 milhões de dólares para minerar escândio, um elemento terra rara amplamente utilizado em ligas leves. A Niron Magnetics, empresa sediada em Minnesota, obteve 150 milhões de dólares para fabricar novos ímãs livres de terras raras para smartphones, mísseis e motores elétricos. Por fim, o governo fez um investimento de 85 milhões de dólares em participação acionária na Strategic Bauxite, que mineram bauxita, mineral que contém alumínio.
Fonte: TechCrunch

