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Estudo da Glassnode revela exposição de Bitcoin a ataques quânticos em corretoras e governos

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Henrique HK
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A Glassnode, referência em análises on-chain de criptomoedas, publicou nesta quarta-feira (20) um relatório detalhado sobre os bitcoins vulneráveis a ataques de computadores quânticos. O estudo examina a exposição das principais corretoras globais, gestoras de ativos e governos à essa ameaça tecnológica emergente, mapeando endereços cujas chaves públicas já foram reveladas.

Entendendo os tipos de ataques quânticos

Para compreender a análise da Glassnode, é fundamental distinction between two distinct modalities of quantum attacks. O primeiro modalidade, denominada curto alcance, explora o intervalo entre o envio de uma transação à rede e sua confirmação pelos mineradores. Embora afete todos os endereços de Bitcoin, essa modalidade apresenta dificuldade técnica extrema, tornando-se praticamente inviável na prática.

O segundo modalidad, conhecido como longo alcance, opera com tempo ilimitado para execução. Essa vulnerabilidade emerge quando a chave pública de um endereço já foi exposta anteriormente, seja pelo tipo específico de endereço utilizado — como os legacy P2PK (Pay to Public Key) — seja pela prática desaconselhável de reutilização de endereços. Uma vez revelada a chave pública, o endereço torna-se permanentemente suscetível a esse tipo de ataque.

Exposição das principais corretoras de Bitcoin

Embora os computadores quânticos ainda não representem uma ameaça prática ao Bitcoin, o tema ganha relevância diante dos avanços recentes dessa tecnologia. A Glassnode destaca que não existem atualmente endereços resistentes à computação quântica, sendo recomendado pelos especialistas o uso de endereços cujas chaves públicas permanecem não reveladas.

O relatório revela que diversas corretoras apresentam exposição significativa a ataques de longo alcance. A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, lidera a lista com 85% de seus bitcoins vulneráveis. Na sequência, Bitfinex, Bithumb, Coincheck, Deribit, Crypto.com e Bitcoin.de apresentam 100% de suas carteiras expostas, indicando alta dependência de endereços com chaves públicas já reveladas.

Em contraste, algumas corretoras demonstram práticas mais seguras. Bitflyer apresenta apenas 2% de exposição, Coinbase mantém 5%, OKX registra 23% e Bitstamp apresenta 33%. Esses números refletem diferenças significativas nos protocolos de segurança operacional de cada plataforma.

Implicações para o ecossistema

A Glassnode enfatiza que os outputs vulneráveis não são necessariamente inseguros por design, mas tornam-se expostos porque as chaves públicas foram reveladas enquanto o BTC permanecia associado aos mesmos endereços. O problema central reside na reutilização de endereços, prática que compromete a segurança em cenários de ataque quântico.

De acordo com o relatório, aproximadamente 1,66 milhão de BTC — equivalente a 8,3% da oferta total — estão relacionados a corretoras dentro do grupo operacionalmente inseguro. Embora esses ataques ainda não sejam práticos, a solução, caso o risco se materialize, envolve simplesmente a transferência dos saldos para novos endereços com chaves públicas não reveladas.

Exposição de gestoras, empresas e governos

Além das corretoras, a Glassnode analisou carteiras de gestoras de ativos e governos ao redor do mundo. O governo dos Estados Unidos mantém 0% de exposição a ataques de longo alcance, demonstrando protocolos rigorosos de segurança. O mesmo ocorre com o governo de El Salvador, que estrategicamente dividiu seus bitcoins em 14 endereços especificamente para mitigar essa ameaça, além do governo do Reino Unido.

No setor corporativo, Robinhood, Franklin Templeton e WisdomTree apresentam 100% de exposição, seguidos pela Revolut com 99%. Em posicionamento mais conservador, Fidelity mantém apenas 2%, enquanto Grayscale registra 52%, Cash App 2%, WTCG 13% e o governo do Butão 50% de exposição.

Satoshi Nakamoto e a Era Pioneira do Bitcoin

O relatório também destaca a exposição de bitcoins histórica e potencialmente controlados por Satoshi Nakamoto. Aproximadamente 1,1 milhão de bitcoins de Satoshi e outros 620 mil bitcoins da Era Satoshi permanecem expostos, ambos devido ao uso de endereços P2PK, tecnologia legacy que revela as chaves públicas automaticamente.

Os endereços Taproot, tecnologia mais recente do Bitcoin, acumulam cerca de 200 mil moedas expostas a esses ataques quânticos de longo alcance, representando uma porção menor mas ainda relevante do ecossistema.

Perspectivas e recomendações

A Glassnode esclarece que uma parcela relevante da exposição mensurável está nas mãos de entidades ativas que podem reduzi-la através de decisões operacionais já disponíveis atualmente. Para corretoras e custodiantes, a higiene de endereços, a gestão de reservas, a redução da reutilização de chaves e o planejamento de migração não representam preocupações teóricas futuras, mas sim alavancas práticas para diminuir a exposição visível.

O relatório deve ser interpretado de forma restrita, warns a Glassnode. Não se trata de uma previsão sobre cronogramas quânticos, nem de uma estimativa de probabilidade de exploração, nem de uma afirmação de que moedas expostas enfrentam risco imediato. Trata-se, fundamentalmente, de um mapa de base que indica onde as chaves públicas do Bitcoin já estão visíveis hoje e onde a oportunidade de reduzir essa exposição é mais mensurável.

Fonte: https://livecoins.com.br

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