A empresa de inteligência artificial OpenAI descobriu um sofisticado dispositivo de escuta escondido em papel higiênico e conectado a uma porta USB na parte traseira de uma televisão em uma sala de reuniões reservada exclusivamente para executivos em seu escritório em San Francisco. O caso gerou grande repercussão no setor de tecnologia e levanta questões sobre segurança corporativa em empresas de inteligência artificial.
Abdulrahman Alfozan, cidadão saudita de 35 anos e residente permanente nos Estados Unidos, enfrenta acusações federais de interceptação ilegal de comunicações orais. Segundo os promotores federais, o engenheiro passou várias semanas consultando assistentes virtuais e chatbots para planejar a operação de escuta clandestina. Ele utilizou ferramentas internas da OpenAI para obter informações sobre reuniões agendadas na sala de conference que tinha como alvo.
As autoridades afirmam que Alfozan também utilizou uma conta de chatbot vinculada à sua esposa para fazer perguntas técnicas sobre como configurar dispositivos de gravação ocultos. O aparelho descoberto na sala de executivos era um Seeed XIAO ESP32-S3 Sense, descrito como uma pequena placa de desenvolvimento do tamanho de um polegar, equipada com câmera, microfone digital e armazenamento em cartão de memória. O equipamento, avaliado em aproximadamente 14 dólares, estava oculto dentro de um pedaço de papel higiênico.
A equipe de segurança da OpenAI encontrou um segundo dispositivo de escuta escondido na bolsa de Alfozan durante uma verificação no dia 5 de outubro. Os investigadores relatam que o engenheiro deixou a bolsa esquecida em uma sala de impressoras e, posteriormente, reportou sua perda ao departamento de recursos humanos, mencionando que alguns itens estavam faltando, incluindo cartões e dinheiro, mas não fez referência ao equipamento de gravação.
O diretor do FBI, Kash Patel, declarou em comunicado que Alfozan tinha como objetivo capturar secretamente comunicações sensíveis sobre a tecnologia de superinteligência da empresa. A OpenAI informou que não há indícios de que o funcionário tenha acessado ou roubado pesos de modelos, código-fonte ou dados de clientes. A empresa afirmou que leva a proteção de sua tecnologia e pessoas com seriedade, considerando isso uma questão de importância nacional.
Alfozan ingressou na OpenAI em julho de 2025 e foi desligado na última sexta-feira, coincidindo com sua prisão. Ele compareceu perante o Tribunal Distrital dos Estados Unidos em San Francisco na terça-feira. Se condenado, o engenheiro pode enfrentar até cinco anos de prisão. Registros indicam que ele anteriormente trabalhou em uma startup de logística de cargas e na gigante tecnológica Meta, além de atuar como parceiro de investimentos em uma empresa de capital de risco saudita.
A sala de reuniões onde o dispositivo foi instalado era reservada exclusivamente para executivos e seus assistentes, sendo frequentemente utilizada para discussões consideradas altamente confidenciais, incluindo pesquisas, produtos, estratégia de negócios e reuniões com parceiros comerciais e representantes governamentais.
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