O gasto de brasileiros com criptomoedas no exterior disparou em abril, alcançando US$ 2,709 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O valor representa quase o triplo do registrado no mesmo período do ano anterior, quando as despesas somaram US$ 920 milhões, e evidencia o avanço significativo da demanda por ativos digitais no país.
Stablecoins dominam o mercado brasileiro
As moedas estáveis lastreadas em dólar se consolidaram como o principal segmento do mercado cripto brasileiro, movimentando volumes muito superiores aos do Bitcoin. Segundo dados da Receita Federal, apenas em dezembro de 2025, as stablecoins registraram volume de R$ 29,4 bilhões, contra R$ 2,6 bilhões do BTC. O domínio é puxado principalmente pelo USDT, emitido pela Tether, responsável por cerca de 90% do volume negociado entre stablecoins no país.
Crescimento exponencial em seis anos
O volume de stablecoins no Brasil cresceu 480 vezes em seis anos, atingindo R$ 361,6 bilhões em 2025. O pico histórico ocorreu em novembro do mesmo ano, quando o volume mensal alcançou R$ 37,6 bilhões — valor 4,5 vezes superior ao melhor mês da história do Bitcoin no país. Esse avanço reflete a transformação das stablecoins, que passaram a ser utilizadas não apenas como investimento ou proteção cambial, mas também como infraestrutura de pagamentos, remessas internacionais e movimentação financeira digital.
Integração com o sistema financeiro nacional
Para Fabricio Tota, diretor de Novos Negócios do MB | Mercado Bitcoin, as stablecoins se tornaram um trilho eficiente para transferir valor, especialmente quando a alternativa é lenta, cara ou cheia de fricção. A combinação entre dolarização informal, facilidade de uso, integração com Pix e aumento da demanda por pagamentos internacionais ajudou a transformar o Brasil em um dos maiores mercados globais para esses ativos.
Expansão da base de investidores
Informações da Receita Federal revelam um crescimento robusto no número de brasileiros declarando operações com criptomoedas. Em 2021, o total de declarantes saltou de 94 mil para 617 mil pessoas físicas em pouco mais de um ano. No ano passado, o número de CPFs chegou a superar 6 milhões em um único mês, demonstrando a popularização dos ativos digitais entre a população.
Desafios regulatórios e perspectivas
Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, destacou que os fluxos demonstram claramente uma demanda crescente por stablecoins, com parcela significativa das compras tendo finalidade transacional. Embora o BC ainda não consiga mensurar exatamente o estoque de recursos nesse segmento, o órgão recently publicou regras voltadas às prestadoras de serviços de ativos virtuais e acompanha o avanço das stablecoins dentro das discussões sobre fluxo cambial, sistema financeiro e o Drex.
