A BlackRock, uma das maiores gestoras de recursos do mundo com US$ 15,3 trilhões em ativos sob sua administração, revelou em um relatório publicado nesta terça-feira (22) que sistemas autônomos de inteligência artificial podem impulsionar significativamente o ecossistema de criptomoedas. O raciocínio central da análise é direto: enquanto a inteligência artificial representa a capacidade cognitiva natural das máquinas, os ativos digitais representam a moeda natural do ambiente computacional.
A conexão ganha ainda mais relevância com o avanço da chamada inteligência artificial agêntica, que abrange sistemas capazes de planejar e executar tarefas complexas e múltiplas etapas para alcançar objetivos específicos, interagindo com ferramentas externas com mínima necessidade de intervenção humana. Nesse cenário, as tecnologias de registro distribuído fornecem a base programável que conecta a capacidade cognitiva artificial à atividade econômica.
No documento, a BlackRock traça um paralelo entre as tecnologias de inteligência artificial e as redes blockchain, observando que ambas convertem elementos do mundo físico, que não são nativos de sistemas computacionais, em representações padronizadas que podem ser processadas automaticamente. A gestora ainda menciona uma pesquisa realizada pelo Bitcoin Policy Institute, que aponta que modelos de inteligência artificial tendem a preferir stablecoins para transações cotidianas, enquanto reservam o Bitcoin como formato de armazenamento de valor.
O estudo ainda destaca a existência de diversos protocolos criados especialmente para viabilizar transações realizadas por agentes autônomos, como MCP, A2A, x402, MPP, ACP e AP2. Um exemplo prático apresentado pela BlackRock ilustra o processo: um usuário humano solicita que um agente virtual reserve passagens aéreas e hospedagem dentro de um orçamento definido. O sistema principal de inteligência artificial acessa o calendário, as preferências e os dados de pagamento autorizados do cliente por meio de conectores específicos, e então delega a coleta de informações a um subagente especializado em viagens.
De acordo com o relatório, a expectativa é que essas operações automatizadas sejam conduzidas predominantemente por meio de stablecoins, consideradas o instrumento monetário mais adequado para essas ferramentas. A pesquisa revela que o volume movimentado por stablecoins deve ultrapassar a marca de US$ 11 trilhões em 2025, ficando próximo aos volumes anuais de transações combinados da Visa e da Mastercard. Embora esse valor ainda seja inferior aos US$ 93 trilhões transferidos pelo sistema ACH, as stablecoins apresentaram uma taxa de crescimento anual composta de 80%, enquanto o ACH registrou apenas 8,5% no mesmo período.
Como conclusão, a BlackRock afirma que a inteligência artificial e os ativos digitais estão se convergindo progressivamente à medida que as máquinas assumem um papel cada vez mais central na atividade econômica global. O ecossistema ainda se encontra em fase inicial, com pagamentos realizados por agentes autônomos e liquidez nos mercados de computação ainda limitados. Porém, com a expansão da adoção de inteligência artificial e o aprimoramento dos sistemas agênticos, os ativos digitais podem se tornar componentes essenciais da infraestrutura econômica artificial, ampliando a utilidade de stablecoins, ativos do mundo real tokenizados e criptomoedas nativas que dão suporte à liquidação em redes blockchain.
Fonte: Livecoins