A governadora de Nova York, Kathy Hochul, assinou nesta terça-feira uma ordem executiva que estabelece uma pausa de doze meses no desenvolvimento de centros de dados de grande escala, marcando a primeira iniciativa desse tipo em todo o território norte-americano. A medida surge em meio a uma onda crescente de oposição à construção dessas instalações em diversas regiões do país, pressionando autoridades eleitas a adotarem ações concretas.
A ordem executiva determina a suspensão das revisões ambientais estaduais para instalações que ultrapassem 50 megawatts de capacidade pelo período de um ano. Durante essa pausa, o Departamento de Serviços Públicos de Nova York terá a missão de avaliar os impactos ambientais e energéticos desses centros de dados, além de elaborar uma nova declaração genérica de impacto ambiental que estabelecerá um processo permissivo padronizado para questões complexas que possam surgir com futuras construções. Hochul também apresentou uma proposta para eliminar todos os incentivos fiscais direcionados ao setor.
"Não temos alternativa a não ser enfrentar os desafios criados por essas instalações massivas", declarou a governadora durante coletiva de imprensa realizada na cidade de Nova York nesta terça-feira. A pausa, segundo ela, oferecerá ao estado a oportunidade de criar o "arcabouço mais robusto possível para proteger nossas comunidades".
Hochul enfrentava meses de pressão crescente para agir contra os centros de dados. No início de junho, a AssembleiaLegislativa de Nova York aprovou o Ato de Desenvolvimento Responsável de Centros de Dados, um projeto de lei omnibus que implementaria diversas reformas relacionadas ao desenvolvimento desses empreendimentos e que contou com apoio bipartidário. O projeto aguarda a assinatura da governadora desde sua aprovação, enquanto grupos ambientais, religiosos e trabalhistas pressionam pela sua implementação.
A ordem executiva assinada é menos agressiva que a legislação aprovada em maio: a moratória abrange apenas centros de dados acima de 50 megawatts, enquanto o projeto de lei em análise estabelece limite de 20 megawatts. Mesmo assim, defensores do Ato de Desenvolvimento Responsável de Centros de Dados elogiaram a decisão de Hochul.
"A tecnologia deveria melhorar nossas vidas, não poluir nossa água, sobrecarregar nossa rede elétrica ou aumentar nossas contas de luz", afirmou o senator democrata estadual Kristin Gonzalez, autor do projeto de lei, em nota. "Ao dar ao nosso estado tempo para planejar, podemos garantir que o desenvolvimento e a inovação não venham às custas de todos nós."
Alex Beauchamp, diretor regional nordeste do Food and Water Watch, organização ambiental que auxiliou na elaboração do projeto de moratória original, afirmou que é evidente que a legislação aprovada em maio influenciou a governadora a assinar a ordem executiva. Na coletiva de terça-feira, Hochul agradeceu pessoalmente aos patrocinadores do Ato, incluindo Gonzalez.
"Qualquer moratória real representa um gigantesco passo à frente", afirmou Beauchamp.
Em seu discurso sobre o Estado do Estado no início deste ano, Hochul declarou que pediria aos centros de dados construídos em Nova York que "pagassem sua parte justa" pela energia. Não é a primeira vez que a governadora impõe limites às grandes empresas de tecnologia no estado. Em 2022, ela assinou uma moratória de um ano contra a mineração de criptomoedas, apesar da intensa pressão da indústria contra aquela proposta.
Pelo menos outros treze estados, incluindo Geórgia, Oklahoma, Carolina do Sul, Maryland, Vermont e Dakota do Sul, introduziram projetos de lei de moratória para centros de dados em suas assembleias legislativas neste ano, com autores democratas e republicanos. Em abril, Maine se tornou o primeiro estado a aprovar uma moratória para centros de dados em sua legislativa. A governadora Janet Mills vetou o projeto, defendendo um empreendimento específico construído no local de uma antiga fábrica de papel que, segundo ela, "traria empregos e investimentos de volta". O projeto foi colocado em pausa indefinidamente em junho.
A oposição aos centros de dados disparou durante a primeira metade do ano nos Estados Unidos. Um relatório lançado earlier este mês pela Coalizão para o Desenvolvimento Responsável de Centros de Dados, grupo que compila informações sobre resistência aos centros de dados, revelou que a participação em grupos antivocentros de dados no Facebook cresceu sete vezes entre dezembro de 2025 e junho de 2026. Pelo menos trinta estados do país possuem condados ou cidades que implementaram moratórias ou pausas locais, segundo o site Data Center Moratoriums, que acompanha a legislação sobre o tema.
Grande parte da oposição nacional aos centros de dados tem sido bipartidária. Em março, o senator Bernie Sanders propôs a primeira moratória nacional para centros de dados. Em maio, Nancy Mace, congressista republicana da Carolina do Sul que concorre ao governo do estado, declarou que apoiária uma moratória. Na Flórida, o governor Ron DeSantis, crítico contundente tanto da inteligência artificial quanto dos centros de dados, assinou em abril uma lei que implementa fortes proteções ao consumidor contra centros de dados hyperscalers.
"Este não é um problema que podemos esperar — o movimento está ficando mais forte a cada dia", afirmou Beauchamp. "A política nisso está se movendo mais rápido do que qualquer coisa em que já trabajei."
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