Criar mundos para videogames, sejam lineares, semiabertos ou totalmente abertos, não é uma tarefa simples. A complexidade aumenta exponencialmente quando o objetivo é gerar milhares de planetas habitáveis. Esse foi o enorme desafio enfrentado pela desenvolvedora Hello Games ao construir o universo de No Man's Sky.
O funcionamento do jogo é semelhante ao Minecraft: utiliza um sistema de sementes que determinam a aparência de cada planeta de forma idêntica para todos os jogadores. Isso significa que um mundo radioativo com tons de azul e verde será exatamente igual independentemente de quando ou em qual jogo seja visitado. No entanto, essa geração procedural não surge apenas da inspiração — ela se baseia em cálculos matemáticos e dados topográficos reais da Terra e de outros corpos celestes.
Há aproximadamente nove anos, Sean Murray, diretor da Hello Games, participou do Game Developers Conference (GDC) e revelou detalhes fascinantes sobre o desenvolvimento. Durante a palestra, ele explicou que a equipe coletou milhares de pontos de dados topográficos reais de regiões montanhosas da Terra para aplicar no gerador de planetas. A descoberta foi surpreendente: o design do nosso planeta não é tão divertido quanto parece à primeira vista.
Ao importar esses dados para o motor do jogo, a equipe percebeu que distâncias e inclinações se tornam monótonas e entediantes em um ambiente virtual. Murray destacou que nosso mundo possui lugares extraordinários, mas, de forma geral, o planeta não foi projetado para ser divertido em um videogame. Ele usou Utah como exemplo, relatando que a região era tão plana que era possível ver o próprio reflexo no horizonte.
As declarações de Murray não foram uma crítica ao mundo real, mas sim uma observação técnica: a geografia terrestre é predominantemente maçante, o que obrigou a Hello Games a aumentar a densidade visual das montanhas para tornar as caminhadas mais interessantes. Apesar disso, alguns jogadores continuam criticando o design dos mundos do jogo.
A expectativa agora gira em torno de Light No Fire, próxima aventura da desenvolvedora que será ambientada em um único planeta, onde a geografia terá papel fundamental. Murray indicou que gostaria de ter dedicado mais tempo a esse aspecto, e as atualizações Worlds dos últimos anos demonstram que ele cumprriu essa promessa, trazendo mudanças significativas que alteraram até mesmo a natureza de diversos planetas.
Fonte: IGN Brasil
