A operadora espanhola de satélites Hisdesat, pertencente ao grupo Indra, firmou contrato industrial com a Airbus e com a Thales Alenia Space, sociedade controlada em conjunto pela francesa Thales e pela italiana Leonardo, para a fabricação do satélite militar de comunicações SpainSat NG III. O equipamento será destinado às Forças Armadas espanholas e aos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte, no âmbito do programa governamental GOVSATCOM.
O novo satélite vem para substituir o SpainSat NG II, construído pela própria Airbus, que pesava aproximadamente 6,1 mil quilos. A plataforma foi declarada "irrecuperável" durante as fases finais do seu lançamento, após ser atingida por uma partícula espacial quando se encontrava a cerca de 50 mil quilômetros de altitude, no momento da manobra de elevação orbital.
Segundo Alain Fauré, responsável pelos sistemas espaciais da divisão de Defesa e Espaço da Airbus, o SpainSat NG III reforça a autonomia estratégica da Espanha e da Europa. Para o executivo, em meio a um cenário geopolítico cada vez mais complexo, garantir comunicações essenciais para missões da Espanha, da OTAN e das forças aliadas é prioridade absoluta.
Como contratante principal, a Airbus ficará encarregada do projeto, da integração e dos testes do satélite em suas próprias instalações. As unidades da empresa situadas em território espanhol cuidarão do desenvolvimento da carga útil em banda X. Já a fábrica da Thales Alenia Space em Três Cantos, também na Espanha, será responsável pelas cargas úteis em frequência ultra-alta e em banda Ka de uso militar.
O cronograma de desenvolvimento é de 48 meses, com lançamento previsto para o terceiro trimestre de 2030 e início das operações no começo de 2031. Quando entrar em atividade, o NG III funcionará em conjunto com o SpainSat NG I, formando a nova espinha dorsal das comunicações espaciais militares espanholas.
O governo da Espanha destinou cerca de 2 bilhões de euros, o equivalente a aproximadamente 2,34 bilhões de dólares, para a construção, o lançamento e a operação do programa SpainSat NG, que possui vida útil estimada em 15 anos. Não há informações sobre o quanto desse valor foi comprometido com a perda total do NG II, nem se parte do investimento foi recuperado por meio de apólices de seguro.
O terceiro satélite será o mais avançado da série, contando com maior largura de banda, proteção reforçada contra interferências e guerra eletrônica, além de antenas em banda X capazes de reconfigurar a área de cobertura até mil vezes por segundo. Esse recurso permitiria detectar com rapidez tentativas de guerra eletrônica e de falsificação de sinal.
Em outubro de 2025, Airbus, Leonardo e Thales assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de criar uma empresa espacial europeia conjunta, capaz de competir no cenário global. A previsão é a de que o negócio entre em operação em 2027, sujeito às aprovações regulatórias pertinentes.
Fonte: DCD

