Mais de seis décadas após seu afundamento, o naufrágio do Quest finalmente foi revelado ao mundo. A Royal Canadian Geographic Society (RCGS), sociedade geográfica canadense, publicou nesta semana as primeiras imagens do restos mortais do navio que pertencia ao lendário explorador polar Sir Ernest Shackleton. A descoberta foi documentada na edição especial da revista Canadian Geographic.
Shackleton é lembrado principalmente pela catastrófica expedição do Endurance, que ficou preso no gelo marinho em 1914 e posteriormente naufragou. Contra todas as probabilidades, o explorador e sua tripulação sobreviveram a uma das maiores odisséias já registradas na história da exploração polar. O naufrágio do Endurance só foi localizado em 2022, após décadas de buscas.
Ao retornar à Inglaterra, Shackleton encontrou o país mergulhado na Primeira Guerra Mundial. Muitos de seus homens se alistaram nas forças armadas. Considerado velho demais para o serviço ativo, o explorador enfrentava também graves dificuldades financeiras decorrentes da expedição do Endurance. Para garantir sua subsistência, percorrria o país oferecendo palestras.
Porém, Shackleton não abandonava seu sonho de realizar uma nova expedição, desta vez ao oceano Ártico ao norte do Alasca, na região conhecida como Mar de Beaufort. O financiamento para essa ambição veio de John Quillier Rowett, seu antigo colega de escola. Com esses recursos, o explorador adquiriu um baleeiro norueguês de madeira, batizado originalmente de Foca I, que foi renomeado pela esposa Emily para Quest.
Quando o governo canadense retirou seu apoio à missão, os planos foram redirecionados de volta à Antártida. O Quest passou por uma reforma extensiva que incluiu a instalação de uma nova casa de comando, um ninho de observação aquecido, um rádio sem fio, um odógrafo para traçar e mapear a rota automaticamente, uma máquina de sondagem oceânica da marca Lucas, um amplo e valioso conjunto de equipamentos fotográficos e até um pequeno avião.
Fonte: Ars Technica
