Passou pouco mais de um quarto de século desde que Steve Jobs apresentou ao mundo o iTunes, e a plataforma ainda sobrevive nos dias atuais, embora em estado bastante diferente daquele que conhecemos. Para os usuários mais antigos da maçã, o programa carrega um status lendário, pois foi durante anos a principal loja digital para organizar e reproduzir arquivos de música.
No auge de sua popularidade, o serviço chegou a dominar impressionantes 63% do mercado americano de downloads digitais pagos. No entanto, a chegada dos serviços de streaming, como Apple Music e Spotify, deu início a uma queda vertiginosa na utilização da plataforma. Para agravar a situação, o aplicativo foi crescendo de forma desordenada, acumulando funções e se tornando cada vez mais complexo, com uma interface repleta de abas que confundia até os usuários mais dedicados.
A transformação não veio na forma de um desaparecimento repentino, mas sim de uma dispersão gradual. A funcionalidade de música migrou para o aplicativo Música, os filmes foram para o Apple TV e os podcasts encontraram abrigo no Apple Podcasts. Mais significativo ainda, a sincronização de dispositivos não ocorre mais dentro daquele emaranhado de opções do antigo iTunes: ao conectar um iPad ou iPhone ao Mac para fazer backup ou restaurar dados, o processo acontece diretamente pelo Finder.
O aplicativo original foi criado para gerenciar coleções pessoais de mídia, tarefa que cumpria com excelência. Com o tempo, tornou-se um gigantesco centro de controle para aplicativos, backups, filmes, podcasts, livros e praticamente todo o ecossistema Apple. Mesmo fragmentado dessa forma, vestígios do iTunes ainda persistem em algumas funcionalidades específicas.
Suas antigas compras continuam acessíveis através da conta Apple, anteriormente conhecida como Apple ID. Todo o conteúdo adquirido ao longo dos anos — músicas, filmes, temporadas de séries, audiolivros e outros materiais — permanece vinculado a essa credencial. As bibliotecas dos usuários se mantiveram intactas ao longo dessas transições, bastando lembrar os dados de acesso.
Nos dispositivos Apple, o aplicativo Música é considerado o sucessor mais direto do clássico iTunes. Ele reproduz e organiza faixas compradas, arquivos sem proteção DRM, músicas extraídas de CDs e conteúdos importados ao longo dos anos. Não é necessário ter uma assinatura do Apple Music para continuar ouvindo arquivos já possuídos. A assinatura adiciona um catálogo de streaming e recursos de biblioteca na nuvem, mas funciona separadamente da compra de músicas ou da manutenção de arquivos locais em formatos MP3, AAC e ALAC.
A empresa ainda oferece o iTunes para computadores com sistema Windows, permitindo o uso da mídia para quem não instalou os aplicativos mais recentes da marca. Uma vez instalados o Apple Música ou o Apple TV no PC, esses programas assumem o controle de músicas, filmes e séries. O aplicativo Apple Dispositivos gerencia sincronização e conexões, enquanto o tradicional iTunes continua sendo o destino para audiolivros e podcasts gratuitos.
Apesar de toda essa regressão, a loja ainda serve a propósitos específicos. Não funciona mais como um centro de comando universal para mídia e controle de dispositivos, mas usuários do Windows ainda podem baixar o aplicativo tradicional, gerenciar mídias compatíveis e acessar a loja, ressurgindo um pouco do clima antigo. Por outro lado, quem possui iPhone ou iPad conta com um aplicativo próprio da loja para adquirir músicas, filmes e séries, funcionando como opção para quem prefere ser dono dos downloads em vez de pagar assinaturas mensais.
Nos computadores da maçã, é possível comprar músicas pela loja através do aplicativo Música, enquanto compras de séries e filmes agora vivem no aplicativo TV. Álbuns adquiridos em 2026 podem coexistir na biblioteca musical ao lado de arquivos extraídos de CDs em 2004, demonstrando como a plataforma conseguiu preservar o histórico dos usuários. Nenhuma assinatura Apple é necessária para baixar compras e ouvir conteúdo durante viagens ou em locais sem conexão.
Quando o assunto é gerenciamento de dispositivos, o iTunes se tornou apenas um software legado para quem utiliza versões do macOS posteriores ao Mojave. O Finder assume a sincronização, backups, restaurações e atualizações de software. Nos PCs com Windows, o aplicativo Apple Dispositivos cumpre o mesmo papel. O nome iTunes sobreviveu porque a maioria das pessoas ainda o associa à loja e às bibliotecas pessoais da Apple, mas o aplicativo original praticamente desapareceu, restando apenas algumas exceções.

