A rede social profissional LinkedIn decidiu atacar de frente o problema do chamado "desperdício de inteligência artificial" — publicações genéricas e de baixa qualidade criadas por máquinas que têm inundado seu feed. A empresa anunciou nesta quinta-feira a criação de um novo recurso chamado "parece conteúdo de IA de baixa qualidade", que permite aos usuários sinalizar postagens suspeitas de terem sido escritas por sistemas automatizados.
A medida integra um movimento mais amplo que ganhou força em diversas plataformas digitais, cada vez mais preocupadas em conter o avanço de textos produzidos por inteligência artificial, que muitos usuários consideram superficiais e desprovidos de autenticidade. Na semana passada, por exemplo, a plataforma de newsletters Substack disponibilizou uma ferramenta para ajudar seus leitores a identificar publicações escritas por IA, fruto de uma parceria com a empresa Pangram. Esta última, por sua vez, anunciou nesta semana a captação de nove milhões de dólares em uma nova rodada de investimentos para lidar com a avalanche de conteúdo sintético na internet.
O problema já devastou projetos recentes. Em março, a startup Digg foi obrigada a encerrar seu projeto que competia com o Reddit, alegando não conseguir controlar o volume de bots e perfis falsos que invadiam sua plataforma. Já a empresa de infraestrutura digital Cloudflare revelou que o tráfego automatizado na web já superou o de acessos humanos — um marco que, segundo a companhia, chegou antes do que os especialistas previam.
Em comunicado publicado na própria rede, o diretor de produtos do LinkedIn, Hari Srinivasan, reconheceu que a plataforma, pertencente à Microsoft, enfrenta desafios semelhantes. "O conteúdo gerado por inteligência artificial é prioridade máxima para todos nós. As pessoas vêm ao LinkedIn para se conectar com gente de verdade e compartilhar perspectivas, ideias e conhecimentos verdadeiros", afirmou o executivo.
Srinivasan explicou que o novo botão de denúncia integra um conjunto maior de iniciativas para reduzir a quantidade de material de baixa qualidade na plataforma. Entre as ações estão sistemas automatizados de defesa que, atualmente, bloqueiam centenas de milhares de tentativas de comentários gerados por robôs todos os dias, além de milhões de outras tentativas de automação registradas apenas nos últimos dois meses.
O LinkedIn também está desenvolvendo classificadores mais sofisticados, capazes de identificar publicações com características típicas de conteúdo produzido por IA. Esses sistemas serão usados para diminuir a incidência desse tipo de material nas recomendações sugeridas a usuários fora de sua rede de contatos. O botão recém-criado complementa essa estratégia, fornecendo dados valiosos para o aprimoramento dos modelos internos de detecção.
Outra novidade é a sinalização privada, que aparecerá nos painéis de controle dos usuários quando outras pessoas acreditarem que determinado conteúdo parece artificial em razão do uso intenso de inteligência artificial. A ideia é ajudar os autores a melhorarem sua escrita, especialmente aqueles que utilizam a IA apenas para refinar textos próprios, sem cair no território do verdadeiro "desperdício digital".
Em decisão simbólica, a plataforma também está desativando a ferramenta "melhore sua publicação", que usava IA para reescrever textos. Em seu lugar, entra um recurso de revisão gramatical, que corrige erros sem alterar a voz do autor. Entre as melhorias adicionais estão a ampliação do acesso a ferramentas de verificação de perfis e páginas, além de uma nova opção para bloquear comentários de páginas corporativas que o usuário não deseja mais acompanhar.
Fonte: TechCrunch
