A Microsoft adotou uma postura inusitada no mercado de videogames ao incentivar diretamente consumidores americanos a comercializarem seus consoles Xbox que estão sem uso. A empresa enviou mensagens eletrônicas a usuários inativos oferecendo compensação para que revendessem seus equipamentos das linhas Series X e Series S.
Segundo relatos de jogadores nos Estados Unidos, a marca questionou diretamente: "Faz tempo que você não joga no seu console?" e apontou a rede varejista Best Buy como ponto de troca. Por um Series X em perfeito estado, com todos os acessórios originais, o valor oferecido chega a trezentos e setenta e cinco dólares, o equivalente a aproximadamente dois mil e quarenta e seis reais. Já pelo modelo Series S, a quantia pode alcançar duzentos dólares, cerca de mil e noventa e um reais. Importante destacar que o valor é creditado exclusivamente como bônus para compras na própria loja, não sendo pago em dinheiro.
A justificativa por trás dessa estratégia está diretamente ligada à escassez global de componentes de memória RAM. A demanda massiva do setor de inteligência artificial consumiu a maior parte da produção mundial desses componentes, elevando drasticamente os custos de fabricação. A própria Microsoft figura entre as empresas que mais investem nesse segmento tecnológico. O reflexo dessa crise atingiu diretamente o mercado de consoles, que sofreram sucessivos aumentos de preço e enfrentam graves problemas de abastecimento.
Para a companhia, um videogame desligado representa uma perda financeira significativa, considerando que o modelo de negócios da divisão de jogos depende primordialmente de serviços digitais e consumo online. Um aparelho sem uso não gera transações na loja virtual, não produce receitas com compras dentro de jogos e tampouco resulta em renovações de assinaturas da plataforma Xbox Game Pass. Por isso, a fabricante busca atingir dois propósitos simultâneos: oferecer alternativas mais acessíveis a consumidores intimidados pelos novos valores dos aparelhos novos e colocar os equipamentos nas mãos de jogadores ativos que provavelmente assinarão os serviços internos e impulsionarão a economia digital.
Essa redistribuição de consoles no mercado secundário evidencia uma mudança profunda na dinâmica do setor de videogames. A verdadeira disputa atualmente não está na venda inicial do hardware, mas sim em garantir que cada máquina permaneça ativa e continue gerando lucros por muitos anos após sua comercialização.
Fonte: IGN Brasil