Durante mais de cinquenta anos, circulou entre leitores e estudiosos a ideia de que J.R.R. Tolkien nutria um ódio visceral às Crônicas de Nárnia e que esse suposto desprezo teria posto fim à sua amizade com C.S. Lewis. Uma investigação detalhada, publicada recentemente, desmente essa lenda e revela o que realmente aconteceu.
Os dois escritores compartilhavam uma relação estreita no grupo literário conhecido como Inklings, reunindo-se regularmente em Oxford para discutir manuscritos, filosofia e fé. Mesmo com abordagens diferentes — Tolkien preferia a mitologia e a construção de mundos, enquanto Lewis utilizava a alegoria direta — ambos se estimavam e trocavam apoio mútuo.
A origem do mal‑entendido remonta a uma entrevista concedida por Tolkien na década de 1950, quando ele declarou, em tom descontraído, que “não gostava” das Crônicas de Nárnia. A frase foi arrancada de seu contexto e transformada em uma condenação definitiva da obra. Na verdade, o autor de O Senhor dos Anéis admirava a capacidade de Lewis em traduzir temas cristãos em narrativas acessíveis, embora discordasse do estilo alegórico.
Pesquisadores rastrearam a difusão do mito através de periódicos da época e confirmaram que a amizade entre os dois persistiu até a morte de Lewis, em 1963. Documentos pessoais e correspondências mostram que Tolkien inclusive elogiou publicamente o trabalho de Lewis em diversas ocasiões.
O caso serve como lembrete de como declarações informais podem ser distorcidas ao longo das décadas, criando narrativas que não correspondem à realidade histórica. A verdadeira história da relação entre Tolkien e Lewis é marcada pelo respeito mútuo e pela convivência intelectual, e não pelo ódio propagado pela lenda.
Fonte: IGN Brasil