Os óculos inteligentes lançados pela Meta se tornaram um verdadeiro pesadelo de relações públicas para a gigante da tecnologia. Longe de serem tratados como um avanço inovador, o dispositivo vem sendo apelidado de "óculos de pervertido" nas redes sociais, em razão do comportamento de uma parcela de usuários que utiliza o aparelho para gravar abordagens indesejadas a desconhecidos, especialmente mulheres.
O fenômeno ganhou força com a popularização de vídeos classificados como "trolagens", nos quais homens se aproximam de mulheres em locais públicos e registram as reações sem qualquer aviso ou autorização. As vítimas, sem saber que estão sendo filmadas, acabam se transformando em conteúdo viral sem jamais terem dado consentimento para isso. O padrão foi amplamente condenado por entidades de defesa dos direitos das mulheres e por especialistas em ética digital.
A reação do público foi imediata e dura. Organizações de proteção à privacidade e grupos feministas passaram a denunciar o aparelho como ferramenta de vigilância e assédio. A pressão cresceu a ponto de a Meta anunciar medidas para conter o estrago na imagem da marca. Nesta semana, a empresa confirmou que vai proibir a publicação de determinados vídeos gravados com seus óculos em suas próprias plataformas, numa decisão considerada excepcional dado o histórico de resistência da companhia em restringir conteúdo gerado por seus dispositivos.
Especialistas em tecnologia afirmam que o episódio expõe um problema cada vez mais frequente: a distância entre o que as empresas de tecnologia projetam como uso legítimo de um produto e a forma como ele é aplicado na prática. Para críticos, a responsabilidade não recai apenas sobre os usuários mal-intencionados, mas também sobre a companhia que comercializa um aparelho capaz de capturar imagens de forma quase imperceptível, sem qualquer sinalização visível para as pessoas ao redor.
Fonte: The Verge
