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Plataforma asiática mira mercado corporativo de criptomoedas no Brasil e projeta Bitcoin a R$ 1,6 milhão

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Em um movimento que contraria a lógica predominante no mercado brasileiro de criptomoedas, uma exchange de origem filipina decidiu apostar no segmento empresarial em vez de disputar o varejo com gigantes já consolidados. Enquanto a Binance comanda cerca de 70% das negociações de pessoa física no país, a nova aposta mira um terreno menos concorrido e potencialmente mais rentável: as operações entre empresas, tesourarias corporativas e instituições financeiras.

Em entrevista exclusiva, Guilherme Bissoli, diretor da plataforma, abriu o jogo sobre os planos da empresa para o mercado nacional. A companhia nasceu em 2014 nas Filipinas, migrou para o universo cripto três anos depois e foi incorporada por um fundo de investimento. Antes mesmo de sonhar com o mercado brasileiro, a organização já acumulava licenças para receber dólares e euros diretamente, herdando uma vocação para infraestrutura de pagamentos que hoje define sua identidade.

O modelo de negócios reflete essa origem. Em vez de apostar na oferta de moedas meme e ativos especulativos, a empresa prioriza a alta liquidez de stablecoins pareadas ao dólar, fundamentais para remessas internacionais e gestão de caixa corporativo. Bissoli é enfático ao definir o posicionamento: a companhia não opera como uma corretora tradicional, mas sim como uma empresa de pagamentos com livro de ofertas robusto.

A estratégia mira três públicos prioritários: pessoas jurídicas, corretoras de câmbio e o segmento B2B em sentido amplo. Para atender grandes tesourarias, a plataforma oferece mecanismos institucionais de segurança, incluindo aprovações em múltiplos níveis no estilo maker-checker, em que um colaborador registra a operação e outro precisa validá-la antes da execução.

O interesse pelo Brasil não foi obra do acaso. Além de figurar historicamente entre os maiores mercados de ativos digitais do planeta, os investidores por trás da empresa já conheciam o terreno brasileiro graças a aportes anteriores em gigantes da tecnologia, como o aplicativo de vídeos curtos Kwai.

Regulação como filtro e como vantagem

Bissoli dedicou parte da conversa para analisar o novo marco regulatório estabelecido pelo Banco Central. O executivo admitiu surpresa positiva com a velocidade e a clareza das regras brasileiras, reconhecendo que o país superou expectativas ao avançar mais rápido do que outras jurisdições conhecidas.

O lado sombrio, segundo ele, recai sobre os pequenos empreendedores. A obrigatoriedade de sistemas sofisticados de conheça seu cliente, auditores externos e volumes robustos de capital próprio criou uma muralha praticamente intransponível para novatos. Bissoli revelou números impressionantes: para operar simultaneamente com licença de Instituição de Pagamento e de provedora de serviços de ativos virtuais, é necessário imobilizar cerca de 24 milhões de reais em capital.

Questionado sobre a viabilidade de novas startups diante desse cenário, o diretor foi taxativo: impossível. Para dimensionar o problema, comparou o momento atual ao que viveu a mineração tradicional, na qual competir com gigantes consolidados se tornou tarefa inglória para entrantes.

Apesar do diagnóstico desfavorável à inovação de base, Bissoli enxerga no rigor regulatório uma vantagem competitiva para empresas já estruturadas. Como possui licenças rigorosas desde 2017 nas Filipinas, a plataforma chega ao Brasil com processos maduros e prontos para operar, colocando-a em posição privilegiada frente a concorrentes menos preparados.

Ameaça quântica e as baleias adormecidas

O tema da computação quântica também entrou em pauta. Bissoli demonstrou otimismo sobre a capacidade da comunidade de desenvolvedores em reagir a uma eventual quebra da criptografia atual, argumentando que a própria tecnologia quântica oferecerá as ferramentas para corrigir eventuais vulnerabilidades.

O verdadeiro risco, segundo o executivo, não está nos investidores ativos. As maiores vítimas serão as chamadas baleias adormecidas, titulares de carteiras antigas cujas senhas se perderam ao longo de mais de uma década. Esses endereços jamais poderão migrar para padrões de segurança pós-quânticos, tornando-se alvos indefesos.

O futuro segundo a inteligência artificial

No campo macroeconômico, Bissoli rechaça a tese de que o Bitcoin perdeu relevância. Para ele, um novo ciclo de valorização será alimentado pela convergência entre o sistema financeiro tradicional, com a chegada de empresas como a emissora de stablecoins Circle ao mercado de capitais, e o nascimento da chamada economia agêntica, na qual inteligências artificiais passarão a realizar transações de forma autônoma.

Nesse contexto, o executivo acredita que as inteligências artificiais não adotarão o Bitcoin como meio de pagamento do dia a dia, preferindo a estabilidade das moedas digitais pareadas ao dólar. O ativo principal da rede, por sua vez, consolidaria seu papel como espécie de cartório digital global, um registro imutável de valor.

Sustentado por essa visão, Bissoli cravou sua projeção mais ousada: o Bitcoin deve alcançar, no mínimo, 300 mil dólares em um horizonte de quatro anos. A empresa, por ora, intensifica sua presença no país com visitas mensais a São Paulo, consolidando sua estrutura para operar sob as novas regras do mercado financeiro digital brasileiro.

Fonte: Livecoins

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