A primeira viagem de luxo organizada pela OpenAI para influenciadores virou alvo de intensa polêmica nas redes sociais. O evento, batizado de "Summer Club", foi realizado em um resort sofisticado no interior do estado de Nova York e reuniu um grupo seleto de criadores de conteúdo.
Durante o retiro, os convidados participaram de jantares com ingredientes produzidos na própria propriedade, experiências de bem-estar como apicultura e oficinas voltadas ao uso das ferramentas da empresa. Nas publicações, alguns influenciadores mostraram a construção de um site e uma atividade de pintura, ambas oferecidas na programação.
Apesar do tom leve e estético dos vídeos divulgados, a enxurrada de comentários foi predominantemente hostil. Muitos usuários sugeriram que os criadores haviam "trocado a consciência" por hospedagem de alto padrão, enquanto outros cobraram posicionamentos sobre os efeitos ambientais dos grandes centros de dados que sustentam a inteligência artificial.
Uma das participantes chegou a apagar o vídeo sobre o retiro após a repercussão, embora tenha mantido outras publicações que não mencionavam diretamente o convite da OpenAI. Outra criadora compartilhou um desabafo no LinkedIn admitindo surpresa com a intensidade da reação e afirmando que não havia previsto a controvérsia.
Procurada, a OpenAI se manifestou por meio do porta-voz Drew Pusateri, que classificou o encontro como uma ação educativa. Segundo ele, a viagem teve como foco apresentar o recém-lançado ChatGPT Work, recurso voltado à elaboração de documentos e apresentações, e oferecer vivência prática com as ferramentas da companhia.
"Os criadores são uma parte importante da nossa comunidade e de como as pessoas conhecem nossos produtos atualmente", afirmou Pusateri. "Recebemos bem o debate saudável à medida que a inteligência artificial se torna mais presente, e valorizamos os criadores que escolhem dialogar conosco, fazer perguntas difíceis e aprender junto com todos os outros."
A estratégia de aproximar influenciadores não é exclusiva da OpenAI. Em fevereiro, a revista Vanity Fair revelou que a empresa havia contratado Charles Porch, executivo egresso do Instagram, para o cargo de vice-presidente de parcerias criativas globais. Outras gigantes do setor também apostaram em ações semelhantes, como um jantar promovido pela Anthropic para divulgar o Claude e uma viagem organizada pela Microsoft Copilot ao Super Bowl.
Ainda assim, nenhuma dessas iniciativas despertou reação tão intensa quanto a promovida pela OpenAI. O momento do evento foi considerado especialmente delicado. A empresa está próxima de fechar um acordo de 500 bilhões de dólares para erguer um novo centro de dados em Ohio, em um contexto de crescente preocupação com os impactos socioambientais dessa infraestrutura. A ironia de promover um retiro luxuoso em meio à natureza não passou despercebida pelos críticos.
A esse cenário soma-se o contrato de 200 milhões de dólares assinado com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, outro ponto que inflamou as manifestações contrárias. Para muitos, a combinação de ostentação, expansão industrial e alianças com o governo simboliza um lado preocupante do atual estágio da inteligência artificial.
Fonte: TechCrunch
